Serra lidera e Maluf abre 11 pontos sobre Marta

Se o segundo turno da eleição para a Prefeitura fosse hoje, dia em que Marta Suplicy (PT) completa três anos e meio no comando da cidade, a prefeita estaria fora da disputa. Ela ocupa a terceira posição (15,2%) das intenções de voto na pesquisa InformEstado, concluída ontem. Em primeiro está José Serra (PSDB), com 33,1%, seguido de Paulo Maluf (PP), com 26,8%. Marta tem ainda uma grande rejeição: 45,2% do eleitorado não votaria nela. Apenas 0,1 ponto percentual menos do que aqueles que não escolheriam Maluf. Luiza Erundina (PSB) tem 24,9% de rejeição, Paulinho Pereira (PDT), 10% e Serra, 9,2%. É um quadro que ainda pode se modificar nas próximas semanas por dois motivos: uma grande aceitação do Bilhete Único e a estagnação de Maluf nas pesquisas. "O sistema de transportes ainda está em fase de adaptação e pode ser mais divulgado; além disso, Maluf tende a ficar nesse porcentual, não sobe mais que isso", afirma a professora de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) Maria do Socorro Braga. Além dessas observações, a cientista política Fátima Pacheco Jordão avalia que o eleitor pode ter associado a frustração com o governo Lula à Prefeitura de São Paulo. "Há 6 meses ainda havia uma certa aura em torno do PT, mas agora há muitas dúvidas", diz. "Mas Marta ainda pode dar a grande cartada com o Bilhete Único." Mas, para isso, a prefeita precisará de muito jogo de cintura, principalmente para se defender dos ataques com relação às áreas consideradas críticas em sua gestão e que foram bandeira de campanha no passado, como a saúde. "Essa poderá ser a arma dos adversários, principalmente do Serra", acredita Maria do Socorro. Em contrapartida, poderá usar o tempo na TV para explorar as áreas em que teve melhor atuação, na opinião do cientista político Rubens Figueiredo. Entretanto, ele afirma que dificilmente Marta reverterá sua imagem diante dos paulistanos muito insatisfeitos. "Há um índice muito alto de eleitores considerando o governo dela péssimo ou ruim (41,5% na pesquisa). Isso dificilmente será revertido." Para Fátima, o alto índice de rejeição pode estar ligado à falta de cumprimento das promessas de campanha. Na pesquisa, 65,5% dos entrevistados consideram que Marta não está cumprindo o que prometeu. Em dezembro, o índice era de 58,7%. MotivosNa pesquisa, as taxas de lixo e luz são citadas por 43,8% dos entrevistados como motivo para não reeleger a prefeita. Depois foram lembradas as enchentes (13,4%), os buracos nas ruas (11%), as obras abandonadas, como o Paulistão e canalizações de córregos (10,6%). Já contam votos para ela o Bilhete Único e os CEUs. São apontados como principais motivos para votar em Marta, para 25,3% e 18,5% dos paulistanos ouvidos, respectivamente. Também foram citados os programas sociais (15,6%) e o Vai-e-Volta (12%). A secretária de Comunicação e Informação Social da Prefeitura, Sonia Franieck, informou, por e-mail, que considera pequena a amostra de 606 entrevistados pela pesquisa do InformEstado. "É insuficiente para retratar a realidade sobre a avaliação da população paulistana sobre o governo de Marta Suplicy", afirmou. No texto, Sônia informa que "há enorme discrepância com relação a pesquisas internas do governo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.