Serra lança hoje ''PAC paulista'' para aliviar impacto da crise

Ele quer antecipar ao máximo R$ 20 bi de investimento previstos em 2009; pacote inclui também desoneração de investimentos e geração de vagas

Anne Warth e Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anuncia hoje um pacote de medidas para estimular a economia paulista, desonerar investimentos e preservar empregos, como antecipou ontem, às 16h33, o serviço noticioso em tempo real AEBroadcast . Na prática, será uma espécie de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo paulista, seguindo a linha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem adotando no âmbito federal, reafirmando o papel do Estado como agente indutor dos investimentos e do crescimento, sobretudo em momento de crise. O governador rejeita a comparação com o PAC. "Estou apenas governando", disse Serra ao Estado no fim da tarde de ontem. Além dessa semelhança, os programas têm no comando os dois principais nomes à sucessão presidencial de 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador Serra.A ideia do tucano é antecipar para o primeiro semestre o maior volume possível de desembolso dos R$ 20,6 bilhões previstos no Orçamento para investimentos em 2009 e transformar esse potencial em empregos. Ele já havia pedido aos órgãos e secretarias um diagnóstico do que poderia ser realizado no primeiro semestre, período apontado por analistas como o mais crítico da crise financeira, que já afeta duramente São Paulo.Nos bastidores, o pacote é apontado como mais um avanço no tabuleiro da disputa interna travada no PSDB para a escolha do candidato em 2010. Um tucano ligado a Serra afirmou que, enquanto o governador mineiro e pré-candidato Aécio Neves defende prévias, "Serra está preocupado com questões maiores e de impacto para todo o País, como o combate à crise econômica e a geração de empregos".PARTICIPAÇÃO PRIVADAO PAC de Serra deve estimular os investimentos privados por meio da desoneração de impostos estaduais, com foco na geração de empregos. As medidas terão como objetivo incentivar empresas a desengavetar projetos adiados por causa da crise. O governo avaliará caso a caso. Do volume de recursos que o Estado prevê investir neste ano, R$ 3,6 bilhões vão para as rodovias - com a recuperação de estradas vicinais no interior e melhoria e duplicação da malha -, R$ 1,5 bilhão para o Rodoanel e R$ 2,7 bilhões para obras da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp). Este último caso inclui ações voltadas a tratamento e abastecimento de água, saneamento e recuperação ambiental da Baixada Santista e ampliação do sistema de tratamento e coleta de esgoto. O Estado prevê investimento de R$ 1,7 bilhão em habitação, urbanização de favelas e ocupações, construção de moradias e recuperação da Serra do Mar; R$ 3,5 bilhões para obras do metrô, modernização da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e compra de trens; além de R$ 1 bilhão para a Nossa Caixa Desenvolvimento.PRISÕESA Secretaria de Segurança receberá R$ 532 milhões, dos quais R$ 279 milhões em obras, reformas e compra de veículos, armamentos e equipamentos de segurança. A pasta de Administração Penitenciária receberá R$ 625 milhões para ampliar e modernizar o sistema prisional. Na educação, serão investidos R$ 300 milhões na modernização de unidades e expansão das Escolas Técnicas e Faculdades de Tecnologia (Fatecs). Na saúde, serão gastos R$ 229 milhões em obras, ampliação e reforma de equipamentos da rede e R$ 1,2 bilhão na aquisição de medicamentos e insumos hospitalares. Outros R$ 3,4 bilhões vão para outras secretarias e órgãos.

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