Serra inaugura túnel e critica gestão de Marta

O prefeito José Serra (PSDB) inaugurou hoje o Túnel Jornalista Odon Pereira, do lado da estação de metrô Corinthians-Itaquera, na zona leste, na ligação entre as Avenidas Radial Leste e José Pinheiro Borges. Em um palanque montado, e na presença de vários secretários e políticos do partido, Serra evitou falar sobre sua candidatura a governador do Estado, mas aproveitou a ocasião para criticar a gestão de Marta Suplicy (PT), que pretende concorrer ao cargo. "Os túneis dos Jardins só vieram amolar a paciência da população e não serviram para nada. Custaram mais de R$ 200 milhões, quatro vezes mais do que esse, que é muito mais importante e vai beneficiar a população", disse Serra.O túnel, segundo Serra, custou R$ 57 milhões, sendo que R$ 20 milhões foram investidos pela gestão passada e o restante pela atual administração. Com 200 metros de extensão, a obra vai facilitar a ligação entre os bairros de Itaquera e Guaianases e faz parte do plano de interligar a avenida até Ferraz de Vasconcelos e Poá, entre outras regiões. Com a liberação do túnel, será desativado o desvio de tráfego entre as Ruas Itagimirim e Flores do Piauí. Antes, os veículos que chegavam a Itaquera eram obrigados a entrar pelo bairro para chegar a Guaianases. "Neste pequeno trecho, o motorista demorava 40 minutos", disse o subprefeito de Guaianases, Estevam Galvão de Oliveira. O prefeito enalteceu os benefícios da obra, inclusive para os usuários da linha E da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O túnel passa sob a linha. "Ele vai aumentar a velocidade dos trens de 18km/h para 30 km/h, que tinham de passar devagar pelo trecho", disse Serra. "É um programa de prioridades, o túnel podia ter sido feito na gestão anterior e não foi. Quando saneamos as contas, tocamos a obra."Para uma platéia de cerca de 300 moradores da região, o prefeito fez, ainda, um discurso das realizações e do foco que sempre deu à região. "No governo Montoro, em 1983, o metrô estava parado no Tatuapé e o BNDES queria construir uma usina hidrelétrica em Três Irmãos, no interior. Condicionei a construção ao financiamento do metrô", afirmou Serra. "Quando era ministro do Planejamento, com o comando do BNDES, modernizei a linha até Guaianases."O prefeito seguiu com mais críticas à gestão anterior e até ao governo federal. Citou que muita coisa foi feita na cidade desde que assumiu a Prefeitura, "sem ficar fazendo seminários ou tendo discussões". "Entramos sabendo o que fazer já no primeiro dia. Recuperamos as finanças de São Paulo, destruídas, e não interrompemos nenhuma obra importante", disse Serra. "Isso porque o prefeito é um servidor público, o presidente da República é um servidor público. Apesar que isso, infelizmente, não ocorre na esfera federal."Durante a fala do prefeito, alguns populares levantaram abaixo-assinados para a construção de uma passarela no local. Foi o momento de exaltação de Serra. "Não precisa assinar, a gente faz. Tem gente que precisa de algo assinado, a gente, não", disse. Mais tarde, na entrada do túnel foi interpelado novamente por moradores que exigiam uma melhor iluminação antes da entrada do túnel. "Há até estupros por aqui", disse um deles. À imprensa, Serra reclamou. "É crítica da oposição. Em cada obra sempre há críticas, antes de experimentarem. Mas, isso é normal." Serra fez referências, ainda, a todos os políticos presentes ao evento, entre eles, o vice-prefeito Gilberto Kassab (PFL), os secretários Walter Feldman, Antonio Arnaldo de Queiroz e Silva, Alberto e Aloysio Nunes Ferreira e ao deputado federal Alberto Goldman. Este último brincou com a informação da hipótese de assumir a secretária de Governo, no lugar de Ferreira, que pretende se candidatar a deputado. "Não estava sabendo. O Kassab veio falar comigo sobre esses comentários hoje. Mas nem o prefeito atual e o futuro me falaram sobre isso", disse Goldman. "Então quer tirar o meu cargo, né?", rebateu Ferreira, com ironia. Sobre a definição de Serra a governador do Estado, Goldman foi conciso. "Estive com o Serra, ontem (anteontem), e ele continua fazendo avaliações, quer conversar até o fim do mês."

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