Serra foi último a chegar à festa de Sérgio Guerra

Já passava da meia-noite de ontem (11) quando o ex-governador José Serra chegou ao apartamento de cobertura do presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, onde era celebrada sua festa de aniversário. Serra foi o último a chegar ao evento que não contou com as presenças do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, senador Aloysio Nunes (SP) e Aécio Neves (MG).

ANGELA LACERDA, Agência Estado

11 de novembro de 2011 | 15h31

A ausência de Nunes, que tem criticado a atuação de Guerra publicamente, cobrando uma oposição mais firme do PSDB ao governo federal, deixou a impressão de que ainda não se chegou a uma pacificação na executiva nacional do partido.

Em rápida entrevista, Serra - que atribuiu o atraso ao voo - disse que ser oposição não tem mistério. "Tem que apontar o que está errado, defender os direitos das pessoas, fazer propostas, ser combativa", afirmou. "É isso". Aproveitou para exemplificar com uma crítica à presidente Dilma, em uma área que lhe é cara. "A Dilma foi para a televisão e ficou dez minutos falando sobre o SUS (Sistema Único de Saúde)", observou. "No final, falou que ia criar 10 prontos-socorros no Brasil e concentrados no Rio, São Paulo e Porto Alegre". Depois de avaliar que nesta região há um atendimento de emergência melhor - "não que não deva ter também" - o candidato derrotado à Presidência destacou que a demanda nacional é de "100, 200 vezes mais que isso". Para ele, a oposição tem que ficar atenta a este tipo de situação.

Recém-empossado no Senado depois de uma batalha judicial que lhe foi favorável pelo entendimento que a Lei da Ficha Limpa não poderia ser aplicada ao pleito de 2010, o senador Cássio Cunha Lima (PB) defendeu uma "oposição com resultados".

Ele observou que ainda vai levar suas ideias à executiva nacional, mas avaliou que o desequilíbrio numérico entre situação e oposição é muito grande e que o PSDB não tem condições de fazer uma "oposição panfletária". "Para ser panfletário tem que ter gente na rua, o que não acontece", disse, ao frisar que não existe na oposição ninguém que faça o trabalho social que Lula fez com o PT há três décadas. "Repetir métodos de oposição feitos pelo PT não funciona". Ao mesmo tempo destacou que o governo federal paga um preço "altíssimo" para manter sua base no Congresso.

"Fernando Henrique contribuiu, Lula contribuiu e o Brasil precisa de mais", afirmou. "Nosso papel é se relacionar com a sociedade e, nas negociações trazermos conquistas para o Brasil e para a sociedade". Ele exemplificou com a Desvinculação de Receitas da União (DRU). "Podemos apoiar a DRU, que foi criada no governo Fernando Henrique, dentro de determinados limites ou circunstâncias".

PSB, DEM e PT

No apartamento duplex, com piscina, ao som da cantora Marina Aydar, Guerra reuniu políticos do seu partido - a exemplo dos governadores Teotônio Vilela (AL) e José Anchieta Júnior (RR), senadores Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena (PB), José Agripino Maia (RN), Álvaro Dias (PR), Eduardo Azeredo (MG), deputados federais Antonio Imbassahy (BA), Paulo Abi-Ackel (MG) e Rodrigo de Castro (MG), o ex-governador Tasso Jereissati (CE)- além do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), sua mãe, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), o deputado federal José Mendonça Filho (DEM) e o prefeito do Recife João da Costa (PT). Eduardo Campos, amigo pessoal de Guerra, circulou com desenvoltura e conversou com muitos dos adversários políticos, mas o prefeito petista - que tem administração muito criticada pelo PSDB - estava visivelmente fora do seu ninho.

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