Serra faz discurso de candidato mas evita falar sobre sua candidatura

O prefeito de São Paulo, José Serra, criticou nesta segunda-feira que o governo federal está fazendo uso de um "populismo cambial", que seria baseado em uma mistura entre erros de política econômica e interesses eleitoreiros. Ao mesmo tempo que faz discurso de candidato, o prefeito nega-se a falar sobre sua disputa cada mais acirrada com o governador Geraldo Alckmin para disputar a Presidência da República.Perguntado se decidiu aceitar a vaga de candidato do PSDB caso o partido o queira, Serra rebateu: "A única coisa sobre a qual estou decidido é a dar um empurrão muito importante na limpeza da minha cidade".Na semana passado, durante jantar com a cúpula tucana, Serra admitiu que é candidato a presidente, mas impôs a condição de que terá de ter o apoio de todo o partido. "Estou ouvindo para saber o que é que estão pensando", desconversou. Mas se está ouvindo, Serra percebeu que seu principal adversário não está disposto a facilitar sua vida. "Mais claro do que eu falo, impossível. Não mudei de posição", disse hoje Alckmin, ao ser indagado se estaria disposto à abrir mão da candidatura em favor do prefeito. "Encerro uma missão de quase 12 anos na frente do Estado e coloco meu nome para trabalhar pelo Brasil".Apesar de evitar temas relacionados a candidaturas, Serra afirmou que vê grandes chances de uma vitória tucana na eleição presidencial, seja qual for a estratégia utilizada pela legenda. "Eu não sei qual vai ser o destino, mas vai ser bom". Serra ressaltou que vem se concentrando nos assuntos da cidade. "Não estou muito esquentado com isso", comentou o prefeito ao ser indagado sobre a sucessão presidencial.Sobrevalorização da moeda Ao criticar a política cambial do governo Lula, o prefeito disse que a forte valorização do Real frente ao dólar tende a ter efeitos sobre os níveis de emprego no País e a provocar uma exportação de turistas para localidades como Miami, nos Estados Unidos. "Há um abuso", acrescentou.O prefeito citou como mais um exemplo do que chama de "atuação imprevidente" a decisão do governo de isentar do Imposto de Renda investimentos estrangeiros em títulos públicos. Segundo ele, a medida tende a agravar ainda mais o atual cenário. "A única coisa que vai acontecer é uma sobrevalorização maior da moeda e uma saída de capitais do Brasil para voltarem com dólar e terem a isenção." Serra defendeu que o ideal seria que o governo desonerasse todos os investimentos em títulos públicos, independentemente de sua origem, o que contribuiria inclusive para uma redução da taxa de juros. O prefeito comentou que ele próprio chegou a propor tal medida na época em que exerceu o mandato de senador. Perguntado sobre se a desoneração proposta pelo governo teria interesses eleitoreiros, Serra respondeu: "(A medida) é fruto de erros de política econômica e tem também uma vantagem que se acredita ser eleitoral. São duas coisas; em uma das pernas, os erros e, na outra, o oportunismo eleitoral". Serra insistiu que não se trata de defender o intervencionismo do Estado no câmbio. Ainda assim, ressaltou a necessidade de se buscar meios de alterar o atual cenário cambial brasileiro. "O câmbio a R$ 1,90, a R$ 2,00 é uma irresponsabilidade histórica e nós vamos pagar um preço altíssimo no futuro", afirmou o prefeito, que inaugurou uma unidade do sistema de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e, em seguida, pintou muros com propagandas irregulares na Zona Leste da capital paulista.

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