Serra fala em 'herança problemática' do governo Lula

Exatos 25 dias depois da derrota na eleição presidencial, o tucano José Serra fez hoje sua primeira visita ao Congresso, com um discurso de oposição e confronto direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de apontar a "herança problemática" do governo Lula à sucessora Dilma Rousseff, não poupou de críticas o presidente que, "em vez de governar e procurar soluções para o Brasil, faz campanha para 2014".

CHRISTIANE SAMARCO, Agência Estado

24 de novembro de 2010 | 19h49

Em reunião com políticos e líderes aliados na liderança do PSDB no Senado, Serra agradeceu a colaboração de todos e assumiu a responsabilidade pela insucesso nas urnas. "A culpa da derrota é sempre do candidato", afirmou. Porém, queixou-se do cenário adverso da campanha, lembrando que teve de enfrentar a máquina do governo e o poder financeiro.

Em seguida, voltou novamente a artilharia em direção a Lula, que a seu ver está deixando "um grande nó" de difícil solução e custo alto para o País."O cenário é de produção desacelerando, déficit público crescente e maquiado, inflação ascendente, o maior déficit na balança de pagamentos da nossa história, câmbio super valorizado com crescimento descontrolado das importações, carga tributária no pico, e ainda projetos megalomaníacos, como esse trem-bala, que é a obra mais cara desde Itaipu. Se não é uma herança maldita, é muito adversa", afirmou Serra.

Indagado se também ele não estaria em campanha, Serra foi enfático na negativa: "Não estou em campanha, não. Estou me recuperando da campanha, procurando trabalho e decidindo o que vou fazer para ganhar dinheiro". E se recusou a falar de presidência do PSDB. Sobre uma candidatura sua no futuro, argumentou que "2014 está muito mais longe do que o próprio calendário mostra. Nós não sabemos como vai ser o futuro, muito menos o futuro remoto". Ele entende que, do ponto de vista político, não faltam apenas quatro anos daqui a 2014. "São mais de oito anos, porque muita coisa vai acontecer".

Em resposta a Lula, que lhe cobrara desculpas ao povo por ter simulado um ferimento na cabeça ao ser atingido por uma bolinha de papel, Serra disse que se alguém deve desculpas, é o presidente Lula. "Um outro objeto foi atirado em mim, o que inclusive está filmado e o presidente Lula sabe disso. Acontece que Lula não perde o costume. Continua fazendo campanha e dizendo mentiras pouco apropriadas para a figura de um presidente da República".

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