Serra exibe crítica do PT a gestão de saúde

Tucano mostra na TV entrevistas em que Haddad e deputado federal atacam 'privatização' no setor e defendem controle público da área

Bruno Boghossian e Ricardo Chapola - O Estado de S.Paulo,

23 de outubro de 2012 | 03h01

O candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, visitou ontem um hospital público gerido por uma organização social (OS) e apresentou em sua propaganda na TV um vídeo de novembro de 2011 em que seu adversário, Fernando Haddad (PT), defende a gestão de unidades de saúde do município pelo "poder público".

Os tucanos tentam reforçar o discurso de que Haddad pretende encerrar contratos com entidades privadas que administram unidades de saúde, como hospitais e o sistema de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA). Pressionado pela campanha de Serra desde a última semana, Haddad diz que manterá os contratos com as OS, mas prega maior fiscalização da gestão dessas unidades.

Em entrevista dada ao portal do PT, Haddad atacou o que chamou de "privatização da gestão" das unidades de saúde e disse que os hospitais do município deveriam ser geridos pela Prefeitura.

"(Temos que) organizar o sistema público de saúde com base no poder público. Quem tem que administrar os hospitais é o próprio poder público e não a privatização da gestão e muito menos a privatização dos leitos", disse o então pré-candidato.

Parte do vídeo foi exibido no horário eleitoral de Serra. A propaganda afirma que o PT defende o fim da administração de unidades de saúde por OS e que Haddad pretende fechar AMAs e hospitais geridos pelas entidades.

A campanha de Haddad afirma que o petista defende o "princípio" da administração pública do sistema de saúde, mas alega que ele não encerrará contratos com OS. "No vídeo, Haddad defendeu o princípio de que os hospitais públicos devem ter gestão pública. Por isso, sua intenção é manter sob gestão pública os três novos hospitais que são compromisso no seu plano de governo", diz a nota da assessoria.

A campanha de Serra atribuiu ao tucano a criação de unidades geridas por OS e apresentou na TV depoimentos de paulistanos atendidos pelo sistema público. Exibiu também um vídeo em que o deputado Jilmar Tatto (PT) defende o fim dos contratos com as entidades. "São essas OS, que estão administrando os hospitais e os postos de saúde, que nós temos que, a meu ver, num processo progressivo, acabar", disse Tatto em setembro.

Haddad criticou a exploração do tema por Serra. "A parceria é importante, mas é preciso seguir recomendações do TCM (Tribunal de Contas do Município) que exigem mais transparência, mais controle", disse, após sabatina da ONG Nossa São Paulo.

O assunto deve se manter na pauta da campanha tucana, que diz ter identificado em pesquisas internas que a exploração reduz as intenções de voto de Haddad. Serra participa hoje, às 19h, de evento com médicos e trabalhadores da área de saúde. Estão previstos discursos de funcionários de OS que supostamente seriam demitidos se as parcerias fossem encerradas.

Na segunda-feira, 22, Serra visitou o hospital municipal do M'Boi Mirim, na zona sul, que é gerido por uma OS em parceria com o Hospital Albert Einstein. Mais cedo, o tucano disse que Haddad pretendia encerrar os contratos, o que provocaria uma "anarquia" no setor da saúde de São Paulo.

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