Serra evitar falar de pesquisas e diz estar confiante

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, evitou comentar as pesquisas de intenção de voto em sua visita a Montes Claros, no norte de Minas Gerais, na tarde de hoje. No entanto, o tucano se justificou em tom de crítica: "Não adianta comentar sobre números de pesquisa porque o primeiro turno nos mostrou isso. O meu discurso agora é apenas sobre a conquista do voto e nisso estou confiante, aqui em Minas e em todo o Brasil", disse ele, em entrevista coletiva logo após o desembarque no aeroporto local.

CRISTIANO JILVAN, Agência Estado

28 de outubro de 2010 | 20h45

Acompanhado pelos senadores eleitos Itamar Franco, Aécio Neves e pelo governador reeleito Antonio Anastasia, Serra participou de carreata do aeroporto até a sede da 11ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para um encontro com 62 prefeitos da região, passando em carro aberto pelas principais ruas do centro da cidade de 400 mil habitantes e 238 mil eleitores cadastrados, segundo o Tribunal Regional Eleitoral mineiro (TRE-MG).

O ex-governador Aécio Neves foi mais incisivo ao comentar sobre as pesquisas e usou como exemplo Minas Gerais. "O erro foi de todos os institutos", disse ele, ao citar o exemplo do candidato ao governo apoiado por ele, que "contava com uma vantagem de 20% a 24 horas antes de se abrir as urnas, nada de dois ou três pontos como sugere a margem de erro".

"No caso de Minas não é possível fazer pesquisa com menos de 150 municípios, pelo número de localidades que possuímos e pela diversidade econômica e cultural entre elas. Neste ano, os institutos usaram 50 no primeiro momento e depois 70 ou no máximo 80. Precisam mudar suas metodologias, olhar mais adiante", comentou Aécio.

A expectativa de Serra é para que o apoio direto de Anastasia, massificado justamente pela manifestação de apoio dos prefeitos (dos 90 do norte de Minas, 82 fizeram campanha para o tucano mineiro), se reflita a seu favor nas urnas na região norte mineira no domingo. O governador reeleito obteve cerca de 55% dos votos nominais no primeiro turno, enquanto o presidenciável tucano recebeu apenas 21,05%.

Bolsa Família

Essa foi a segunda visita de Serra a Montes Claros. Na recepção de prefeitos, vices e vereadores na sede da OAB, voltou a falar, se eleito, da possibilidade de reajustar salário mínimo em R$ 600, além do ajuste das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 10%, "o dobro prometido pela oposição", e da possibilidade de fortalecimento do Bolsa-Família.

"Um repasse de mil reais ao ano não representa um volume suficiente para garantir a subsistência de uma família", justificou, ao anunciar que o primeiro passo para melhorá-lo é a criação da "13ª bolsa". Sobre os últimos ataques da candidata petista, de que os seus governos teriam um descaso com o social, atacou: "Isso é uma coleção de mentiras. O Bolsa-Família teve origem no Bolsa Alimentação e no Bolsa Escola, ambos criados no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso).

Ainda nos ataques, Serra respondeu à acusação do PT de que seria preciso fiscalizar suas obras no governo de São Paulo, em especial do metrô. "O governo federal estava condenado porque reuniu empreiteiras para fazer Belo Monte, ofertando e debatendo pelos jornais, a mesma coisa com uma hidrelétrica em Rondônia e outros projetos pelo Brasil. Em São Paulo houve concorrência. Os preços estavam altos e abaixamos. Se cabe fiscalizar, é saber apenas se houve acordo entre as empresas para esta redução."

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