Serra estica visita oficial e segue script de candidato

Após evento em Sorocaba, governador foi a um bairro carente da cidade, onde abraçou e beijou crianças e ganhou fruta de assentado rural

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Sem falar da possível pré-candidatura para disputar a Presidência em 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seguiu o script de candidato, ontem, durante um evento oficial na cidade de Sorocaba, no interior paulista. Acompanhado de secretários, ele esticou a agenda para visitar um bairro carente, abraçou e beijou crianças e até comeu uma banana nanica oferecida por um assentado rural.

Serra esteve na cidade para inaugurar a reforma do prédio da delegacia seccional, obra de R$ 630 mil. Também entregou 400 viaturas para unidades policiais do interior, 100 delas para a região de Sorocaba. No mesmo evento, o governador tucano assinou a promulgação de lei aprovada pela Assembleia Legislativa doando 200 mil metros quadrados para regularizar a situação de cerca de mil moradores do Jardim Nova Esperança.

Depois de ouvir elogios do prefeito de Sorocaba, Vítor Lippi (PSDB), e de deputados tucanos, o governador citou uma lista de realizações para mostrar que seu governo está sendo generoso com a região. "Reforço o compromisso de que esta região terá uma base com helicóptero até o fim do ano." Serra anunciou também a liberação da licença ambiental para o início das obras da fábrica de automóveis da Toyota em Sorocaba. "Serão seis ou sete mil empregos diretos e indiretos."

Ele só fez críticas indiretas ao governo federal quando atribuiu à crise econômica uma retomada nos índices de violência. Em seguida disse que, graças à ação da polícia estadual, a situação não fugiu do controle. "O volume de prisões este ano aumentou 15% para impedir que os efeitos da crise econômica se traduzam num aumento da criminalidade."

Na entrevista concedida após o discurso, Serra evitou responder a perguntas sobre o cenário eleitoral para 2010 e sobre as questões do pré-sal. "Não vou falar de questões nacionais. Eu sei que não interessa a vocês, mas vou falar só sobre coisas de Sorocaba ou que tenham conotação regional."

O grande aparato policial, justificado pela presença do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Neto, e o alto escalão da polícia paulista, não conseguiu evitar um protesto, embora tímido, contra o governador.

Um grupo ligado ao Sindicato da Saúde estendeu uma faixa na entrada do prédio onde se lia: "Serra, exterminador da saúde pública no Estado de São Paulo", em protesto ao que chamavam de privatização da saúde - contratação de organizações privadas para prestar serviços em hospitais públicos.

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