Serra enfrenta protesto por moradia

O prefeito de São Paulo, José Serra, participou de uma tumultuada inauguração de duas escolas no Parque Novo Mundo, localizada na capital paulista. Durante seu discurso, Serra foi interrompido por protestos de moradores da Favela da Funerária, que pediam melhores condições de moradia, gritando "queremos moradia".Durante a confusão, dois populares tomaram um microfone. Uma mulher, de nome Sheila, e o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região, Cândido Serpa. Enquanto ela gritou por moradia, o líder comunitário lançou o prefeito à Presidência, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao Senado e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao governo do Estado, constrangendo, assim, o prefeito e demais políticos presentes.Para Serra, a manifestação acalorada, "provavelmente, foi organizada pelo PT", apesar de ele considerar como legítimos os protestos dos habitantes da favela. Perguntado se a manifestação tinha cunho político-partidário, o prefeito respondeu: "Certamente, teve, mas não diria que as pessoas estão aqui por conta disso."Para tentar contornar a situação, Serra convidou o secretário municipal de Habitação, Orlando de Almeida Filho, presente na inauguração, para conversar com os manifestantes. O motivo do protesto é a falta de assistência que a Prefeitura deu aos moradores da favela após um incêndio ocorrido em dezembro passado e que destruiu 235 barracos. Apenas 50 barracos receberam auxílio. A maioria das famílias que tiveram seus barracos destruídos está morando nas casas de amigos ou parentes. O secretário admitiu o erro da Prefeitura e disse que vai entrar em contato a associação de moradores local para resolver o problema. Almeida Filho disse será preciso levantar quem prefere receber auxílio para encontrar moradia em São Paulo ou para ir embora da cidade. Até o final de março, a favela, que tem um total 700 barracos, será removida. A Prefeitura estuda a possibilidade de fazer um acordo com o Governo e transferir os moradores para um CDHU.Para Serra, a manifestação acalorada, "provavelmente, foi organizada pelo PT", apesar de ele considerar como legítimos os protestos dos habitantes da favela. Perguntado se a manifestação tinha cunho político-partidário, o prefeito respondeu: "Certamente, teve, mas não diria que as pessoas estão aqui por conta disso."Pré-candidaturaUm dia após ter sido lançado como pré-candidato à Presidência da República pelo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o prefeito de São Paulo, José Serra, negou-se a comentar as declarações do líder tucano e também uma eventual candidatura sua ao pleito de 2006. Mais uma vez, Serra limitou-se a dizer que seu nome tem sido colocado por conta dos bons resultados alcançados nas pesquisas eleitorais, mas que isso não significa que seja candidato."Aparecer na frente, inclusive do presidente Lula no plano nacional, é algo, como já disse muitas vezes, gratificante. Muita gente, em função disso, deseja que eu seja candidato e, por isso, meu nome tem sido colocado", afirmou Serra. "Outra questão é entre a pesquisa e a candidatura e, sobre isso, nesse momento não tenho nada a declarar ou a esclarecer".

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