Serra e tucanos mineiros voltam a se aproximar

O PSDB de Minas Gerais e o ministroda Saúde e pré-candidato tucano à sucessão presidencial, JoséSerra, fizeram as pazes. Depois de abrir uma crise com osmineiros, por conta da troca de telefonemas com o governador deMinas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que acabou citado nodiscurso de lançamento de sua candidatura, Serra contornou omal-estar com duas providências: chamou o ex-governador EduardoAzeredo (PSDB) para uma conversa em Brasília e prometeu fazer,em Minas, a pré-convenção nacional que vai lançá-lo no dia 24.Azeredo foi quem mais protestou contra a aproximação entre Serrae Itamar, que chegou até a ser cogitado para ser vice na chapatucana ao Palácio do Planalto. Quando o ministro anunciou suadisposição de entrar na corrida presidencial, há três semanas, oex-governador não lhe poupou críticas. "O Serra está buscandomás companhias e, se quiser vencer a eleição, terá que escolherentre Itamar e o PSDB mineiro", disse Azeredo na ocasião.Serra tomou a iniciativa da conversa na semana passada, já deolho na agenda de viagens que prevê um compromisso em Minas estasemana. Sua idéia era contornar o problema antes do desembarqueem Belo Horizonte, na quarta-feira, para prestigiar a formaturade seis mil auxiliares de enfermagem, como parte de um programado Ministério que visa a formar 220 mil profissionais de saúde.Preocupado em evitar denúncias de uso da máquina na campanhapresidencial, o ministro Serra não terá nenhum compromissopolítico em Minas neste dia.A agenda de campanha de Serra ficará para mais tarde, em MatoGrosso do Sul. De Belo Horizonte, o candidato vai a Campo Grande para um encontro com as lideranças tucanas locais. "Estoufazendo o que disse que faria: investir no PSDB", disse oministro.A cúpula do PSDB ficou apreensiva com a desavença entre ele e osmineiros. Tanto que, na ocasião, dirigentes nacionais do PSDBchegaram a montar uma operação de paz, na tentativa de dar umademonstração pública de coesão do partido em torno de Serra. No encontro com Azeredo, o candidato não negou a boa relação quetem com o governador de Minas, mas classificou-a deinstitucional e garantiu que seus contatos com Itamar foramadministrativos e não políticos. Segundo um interlocutor deambos, foi convincente."O Azeredo saiu inteiramente confortável e tranqüilizado destaconversa", de acordo com relato do deputado Custódio Mattos(PSDB-MG). Por outro lado, o ex-governador tranqüilizou-sesobretudo com a movimentação de Itamar em direção ao PT, e comos números favoráveis das últimas pesquisas eleitorais, que ocolocam na liderança da corrida pelo governo estadual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.