Serra e Marta se digladiam em debate na TV

Foi uma guerra o primeiro debate do segundo turno na disputa pela Prefeitura de São Paulo, realizado pela TV Bandeirantes. Ninguém foi poupado. O primeiro disparo partiu da prefeita Marta Suplicy (PT). Ela entrou em cena disposta a não ficar na defensiva, como ocorreu nos debates do primeiro turno. Para isso revolveu os dez anos de governo tucano no Estado, os oito de Fernando Henrique Cardoso em Brasília, as atuações de seu oponente nos ministérios do Planejamento e da Saúde. Do outro lado, José Serra (PSDB), ostentou desde o primeiro instante uma aura de segurança e tranqüilidade. Visava, entre coisas, a desestabilizar a adversária, conhecida por suas explosões. Um de seus bordões preferidos, foi acusar a prefeita de fugir do debate, não respondendo às questões propostas e que envolviam interesses municipais. ?Haja fuga para o debate?, chegou a dizer.O disparo mais pesado da prefeita, às voltas com o desgaste causado pela aliança do PT com o PP de Paulo Maluf no segundo turno, foi contra o candidato a vice de Serra, o deputado federal Gilberto Kassab ? cuja evolução patrimonial está sendo investigada pelo Ministério Público. Ela tratou de Kassab no primeiro bloco e no encerramento do programa, lembrando que ele foi secretário do prefeito Celso Pitta ? de triste memória para a maioria dos paulistanos. Aproveitou para lançar no ar uma pitada de medo, dizendo que Kassab pode assumir a Prefeitura se Serra renunciar ou se acontecer qualquer coisa com ele.Serra disse que viu os cortes orçamentários para programas sociais com muita surpresa e voltou a mencioná-los incontáveis vezes durante o debate. Marta respondeu acusando os governos do PSDB de investirem pouco na cidade. E disse que os programas e projetos sociais vão ser ampliados. ?Pela primeira vez a cidade teve uma prefeitura que pela primeira vez olhou pelos pobres?, disse ela.Serra criticou a taxa de luz, alegando que a prefeitura já arrecadou R$ 180 milhões com ela, mas aplicou apenas R$ 1,4 milhão na expansão da iluminação pública. Marta preferiu acusar o governo Fernando Henrique Cardoso de ter aumentado o bolo tributário brasileiro. ?Vocês arrecadaram uma barbaridade?, disse. Disse que os novos pontos de luz estão nas regiões mais pobres da cidade. Misturou temas, lembrando que agora isentou os motoboys. ?A taxa era desnecessária, desde que eles se regularizem?, disse ela irritada. Depois de acusar Serra de confundi-la e criar confusão, Marta bateu pesado, lembrando uma frase de Fernando Henrique Cardoso, citada por uma revista semanal: ?O problema não é o Serra, é o diabo que existe nele?. Serra pediu direito de resposta, concedido pelo mediador, ante vaias do lado petista da platéia, e respondeu: ?Minhas perguntas são de natureza administrativa, não pessoal. Fernando Henrique é meu amigo pessoal, meu amigo de muitos anos, vota em mim.? Ao responder sobre o que farão para impedir que os paulistanos deixem São Paulo, Marta disse que fez um esforço para retomar a beleza e a segurança da cidade, construindo universidades gratuitas na zona leste. E colocou ênfase na afirmação: ?Eu gosto de ser prefeita?. Serra disse que o fator fundamental para afastar as possibilidades de desenvolvimento de São Paulo tem sido o peso tributário. ?A cidade se sente sufocada pelo que aconteceu nos últimos anos. É um lugar de investimento desvantajoso. Temos de eliminar esse sufoco nos próximos anos?, disse, lembrando que 2.500 empresas foram embora da cidade. A partir da metade, o debate se tornou repetitivo, com constantes retornos a assuntos que tinham sido discutidos pouco antes. Tensos, os candidatos buscavam respostas que o oponente negava. Serra criticou que o orçamento 2005 tenha previsto apenas R$ 2 milhões para o desenvolvimento da zona leste e R$ 21 milhões para os gastos do gabinete do prefeito. A audiência do programa chegou a 11 pontos no Ibope. Antes do início do debate, a Band tinha 2 pontos. Cada ponto representa 49,5 mil domicílios da Grande São Paulo.

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