Serra e Marina não discursam em convenção que oficializou candidatura de Gabeira no Rio

Candidatos se atrasaram e apenas participaram de rápidas entrevistas após o evento; ambos evitaram fazer comentários sobre crise que quase inviabilizou coligação em torno de Gabeira

Alfredo Junqueira, da Agência Estado

19 de junho de 2010 | 18h50

 

RIO - A convenção conjunta que oficializou o nome do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) à disputa pelo governo do Rio acabou sem que os candidatos à Presidência da República Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) conseguissem chegar ao local onde ocorria o evento - o Clube Canto do Rio, em Niterói. A militância uniformizada que veio em ônibus de municípios da Baixada Fluminense e da Zona Oeste da cidade do Rio foi embora sem ver os presidenciáveis.

 

Marina e Serra não se encontraram e apenas participaram de rápidas entrevistas coletivas após a convenção. Os dois evitaram fazer muitos comentários sobre a crise que quase inviabilizou a formalização da coligação em torno de Gabeira. A participação do PSDB no evento deste sábado, 19, só foi confirmada no fim da noite de ontem. Também não ficou claro como se dará a participação do candidato ao governo na campanha presidencial.

 

No início da semana, a Executiva Nacional tucana decidiu que o partido precisava de um candidato ao Senado no Rio - terceiro maior colégio eleitoral do País - para deixar mais evidente o número 45 na campanha. O PSDB tentou fazer com que o PPS rifasse a candidatura do advogado Marcelo Cerqueira, amigo de Serra, para colocar um tucano em seu lugar. Como o PPS não aceitou a manobra, os tucanos ameaçaram abandonar Gabeira na véspera da eleição.

 

"Foi muito barulho por pouco. Foi tudo equacionado. A aliança é importante, inusitada, diversificada e forte", desconversou Serra. "O Rio é tão importante que dois candidatos à Presidência têm um único nome para o governo".

 

Questionado se a falta de um candidato do PSDB ao Senado atrapalharia sua campanha no Estado, Serra disse: "Se eu achasse que sim, você acha que eu diria?" Além de Gabeira e Cerqueira, a chapa terá o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB) como vice e o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) como o outro candidato ao Senado.

 

Marina explicou que pretendia discursar para a militância que acompanhou a convenção. Ela chegou atrasada por conta da forte neblina que cobriu o Rio e chegou a fechar os aeroportos da cidade na manhã de ontem. A candidata fez questão de afirmar que não se incomoda com o fato de Serra também apoiar Gabeira. "Essa coligação já estava posta quando entrei para o PV. O Gabeira já me explicou tudo", disse Marina. "Em vez de olhar o que nos divide, vou olhar para o que está nos unindo, que é o Gabeira. Além disso, não é a primeira vez que isso um candidato ao governo tem o apoio de dois presidenciáveis", argumentou Marina, citando a eleição de Jorge Vianna (PT) ao governo do Acre, em 1998, quando ele recebeu apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

 

A maior parte dos militantes que lotaram o Canto do Rio era formada por integrantes do PSDB e do DEM. A maioria usava uniformes. Faixas e cartazes dos candidatos pedindo votos foram espalhadas por todo o local. Poucas faziam referências a Marina. Ao som de buzina e vuvuzelas, políticos de todos os partidos discursaram e a maior parte deles se referiu "aos nossos dois candidatos à presidência" quando citavam Marina e Serra.

 

Gabeira se colocou como candidato de oposição ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que vai tentar a reeleição. Sem citar o nome do peemedebista, disse que o adversário sonhava em ser candidato único e disse que sua campanha será totalmente diferente. "Eu vou aos eventos político de Gol. Ele vai em cinco helicópteros", disse Gabeira. "Vamos para as ruas dizer que o governo não fará mais loteamento político. Não vamos fugir das nossa responsabilidades."

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