Serra e Dirceu, ex-dirigentes da UNE, se reencontram

Sentado entre o tucano e adversário político José Serra e o comunista e correligionário Aldo Rebelo em uma espécie de sessão saudade dos tempos de movimento estudantil, na tarde de ontem, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, avisou que falaria como estudante e, de fato, parecia um universitário em passeata: estimulou os jovens a "pressionar o governo e o Congresso e reivindicar as soluções e as medidas para a violência, o desemprego, os sem-escola". Na festa de lançamento do projeto Memória do Movimento Estudantil, Dirceu reencontrou ex-presidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) ? ele mesmo um ex-presidente da entidade. Foi questionado sobre o papel do movimento de estudantes agora, sem uma causa como o combate à ditadura. "Talvez o maior desafio seja enfrentar o mais grave problema do Brasil hoje, que é a violência que atinge principalmente a juventude, os jovens que querem estudar o ensino médio e não têm oportunidade", disse. Pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, José Serra, último presidente da UNE antes do golpe militar de 64, também estava em clima de reencontro e sublinhou as dificuldades do País. "Partidarizar o movimento estudantil não funciona. É gostoso rememorar o passado, mas também ver o futuro." A constatação de que o tempo passa rápido era compartilhada com melancolia pela maioria dos presentes. "Você está muito jovem ainda", disse Dirceu ao deputado Lindberg Faria (PT-RJ), presidente da UNE na época dos caras-pintadas. Já no palco, o chefe da Casa Civil teve de ouvir de Rebelo: "Eu tinha 12 anos em 68 e já me inspirava no José Dirceu." Serra disse estar certo de que o PT não usará a máquina do governo federal na disputa pela Prefeitura. Referindo-se à prefeita Marta Suplicy: "Ela é a prefeita em exercício, é uma adversária forte. Mas não acredito que o PT vá usar a máquina do governo para participar da eleição. O PSDB deu um grande exemplo disso em 2002 e acho que o PT vai seguir."

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