HÉLVIO ROMERO/AE
HÉLVIO ROMERO/AE

Serra e Dilma dividem palco e trocam gentilezas em São Paulo

Ao saber que ministra é atleticana, governador brincou: "Ela está aqui partilhando satisfação dos palmeirenses"

Carolina Freitas, da Agência Estado,

24 de setembro de 2009 | 17h42

Possíveis opositores na disputa presidencial de 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tiveram nesta quarta-feira (24), em São Paulo, um encontro público repleto de gentilezas. Após participar da cerimônia de posse da diretoria do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi), Dilma esperou a chegada de Serra em uma sala reservada. O governador havia sido convidado para a posse, mas mandou o secretário de Habitação, Lair Krähenbühl, representá-lo e compareceu apenas à abertura da Semana Imobiliária, no Parque de Exposições do Anhembi, na zona norte da Capital.

  

Quando Serra entrou na sala onde Dilma aguardava, foi saudado com dois beijinhos da ministra. Lado a lado, eles seguiram para o palco em que aconteceria a cerimônia de abertura. No caminho, conversaram sobre a saúde de Dilma, que faz tratamento contra um câncer. Juntos, descerraram a fita inaugural do evento.

 

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Nos discursos, Dilma enalteceu os feitos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, analisou o desempenho do Brasil diante da crise econômica mundial e destacou o programa Minha Casa, Minha Vida. Serra lançou dúvida sobre a situação econômica futura do País e discorreu sobre os programas habitacionais estaduais.

 

"Superamos a maior crise econômica dos últimos anos", disse Dilma. "O brasileiro não só não desiste nunca como não se conforma nunca. Não nos contentamos nem com o sucesso que já obtivemos diante da crise. Tenho certeza de que esse País vai crescer." Serra foi mais comedido. "O pior da crise já passou. A tendência agora é a melhora. O quanto vai melhorar é incerto", disse em entrevista coletiva.

 

A ministra usou boa parte de seu discurso para louvar o Minha Casa, Minha Vida. Prometeu que, se mantido o modelo do programa, o Brasil vai zerar o déficit habitacional de 8 milhões de moradias em 15 anos. Pela primeira vez, Dilma fixou uma estimativa para entrega do 1 milhão de moradias prometido por Lula no lançamento do projeto habitacional. "A gente espera que uma parte substantiva desse 1 milhão seja entregue até o final de 2010."

 

O governador paulista focou sua fala nas iniciativas paulistas na área de habitação, mas fez questão de mostrar adesão ao Minha Casa, Minha Vida, bandeira do governo Lula e da possível candidatura de Dilma. Serra afirmou que, dentro do programa federal, São Paulo vai construir 13 mil unidades a partir de outubro. O Estado vai ceder terrenos e investir R$ 57 milhões na parceria. "Metade das casas terá três quartos, será moradia decente", disse o tucano. Ele destacou o trabalho conjunto com o governo federal ainda na urbanização da Favela de Heliópolis, na Capital, e no Programa Serra do Mar.

 

No âmbito estadual, Serra prometeu entregar, ao final de sua gestão (2007-2010), 100 mil moradias populares e destacou o pioneirismo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado. "Até pouco tempo, a CDHU era a única do Brasil, pelo volume e pela ênfase, a atender a população que ganha de um a três salários mínimos."

 

Entre sorrisos, Serra sentiu-se à vontade para, ao final de seu discurso, brincar com Dilma a respeito de times de futebol. Palmeirense, o governador comemorou a vitória ontem (23) sobre o Cruzeiro, garantindo a liderança do Campeonato Brasileiro. Ao saber que a ministra torcia pelo Atlético Mineiro, Serra brincou: "Ela está aqui partilhando a satisfação dos palmeirenses." Dilma sorriu e bateu palmas.

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