Serra e Dilma ainda não têm palanque oficial em SC

Pelo menos cinco lideranças já estão na estrada, porém sem uma definição de palanque oficialmente aliado ao tucano ou à petista

Júlio Castro, de O Estado de S.Paulo

07 Maio 2010 | 14h16

FLORIANÓPOLIS - O prestígio pessoal para a definição das composições figura como mola mestra no período de pré-candidaturas ao governo de Santa Catarina. Pelo menos cinco lideranças já estão na estrada defendendo suas propostas e tratando de composições, porém sem uma definição de palanque oficialmente alinhada com o quadro nacional representado pelas pré-candidaturas do tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff. É o caso da progressista Ângela Amin, da petista Ideli Salvatti, do democrata Raimundo Colombo, do peemedebista Eduardo Pinho Moreira e também do atual governador, o tucano Leonel Pavan.

 

Este panorama deve permanecer até os dias 30 de junho, data limite para as convenções dos partidos e 5 de julho, quando obrigatoriamente serão feitos os registros de candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral. O PP, que tem na deputada federal Ângela Amin a pré-candidatura com liderança permanente nas pesquisas, defende um canal aberto ao ingresso de qualquer partido para a composição de chapa. "Estamos percorrendo todo o Estado para saber o que o eleitor pensa. E o que percebemos é um sentimento de mudança e neste contexto, somado as eventuais parcerias com outras legendas, queremos construir um projeto de governo para Santa Catarina", analisa Ângela Amin. Os progressistas não descartam concorrer com chapa pura no primeiro turno e mobilização maior com a participação de outras legendas deve acontecer no segundo. Esperidião Amin, ex-governador e marido de Ângela, inclusive, vem protelando seu projeto político por conta destas composições.

 

Cogitou-se, inclusive, a possibilidade dele abrir mão de sua candidatura ao senado, optando pela tentativa de chegar à câmara federal ou até mesmo abortar qualquer candidatura na hipótese do PT juntar-se ao PP em primeiro turno, feito que está praticamente descartado pelos resultados das últimas pesquisas que apontam Ideli Salvatti com boas chances passar para o segundo turno. Ideli, com isso, alinhada com o PP, tentaria reeleição ao senado na hipótese de renúncia de postulante ao governo catarinense. "A decisão do PT de disputar o governo é irreversível por várias razões. Nossa pré-candidatura unificou o partido como nunca. Temos apoio nacional; somos o único partido que já formou um bloco consistente de aliança com o PR, PRB, PSB e PCdoB - e ainda podemos agregar mais. Tivemos a presença e o aval de Dilma Rousseff no lançamento de nossa pré-candidatura diferente das demais pré-candidaturas. As pesquisas mostram nosso incontestável potencial de vitória. E ainda por cima eu estou muito determinada. Com tudo isso, colocar qualquer dúvida sobre nossa decisão é algo totalmente fora da realidade", contesta Salvatti que na última pesquisa (Brasmarket) aparece em terceiro lugar (13%) da preferência do eleitor, atrás de Raimundo Colombo (15%) e Ângela Amin (24%).

 

Correndo por fora, o pré-candidato, senador Raimundo Colombo (DEM) já declarou que seu partido está comprometido em apoiar José Serra em Santa Catarina. Situação que coloca em "xeque" a já abalada tríplice aliança, formada pelo DEM, PSDB e PMDB, responsável pela vitória na última eleição e que levou Luiz Henrique da Silveira a governador, hoje candidato ao senado. A pré-candidatura do peemedebista Eduardo Pinho Moreira e do tucano Leonel Pavan está na contramão do desejo de Serra para Santa Catarina. O presidenciável, em recente visita a Santa Catarina já anunciou que deseja a união dos três partidos.

 

Tanto Colombo quanto Moreira, momentaneamente, não abrem mão de suas pré-candidaturas. Situação que difere é a de Leonel Pavan, atual governador. No final de 2009 ele vinha apontado pelo PSDB como referência do partido para a corrida governista de 2010. Porém sua indicação foi abalada com as denúncias de seu envolvimento por suposto favorecimento à empresa Arrows Petróleo do Brasil, apurada durante a Operação Transparência, da Polícia Federal. O caso será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. No processo, Pavan é denunciado por Improbidade Administrativa no caso de sua suposta atuação no favorecimento a empresa que já tinha sua inscrição estadual cancelada pela falta de pagamento de impostos.

 

Em recente declaração, Pavan afirmou que definirá seu futuro político até o final de maio, acrescentando que já conseguiu romper a resistência familiar à sua eventual pré-candidatura. Conforme destacou, continua com o aval do partido para se lançar candidato, porém também deseja respeitar o desejo de Paulo Bauer, outra opção do PSDB, atual secretário de educação do Estado. Neste contexto, o PMDB está, momentaneamente, isolado e deve lançar chapa pura. "Crescemos bastante nas pesquisas e a partir de agora vamos intensificar nossa presença nos municípios maiores", prometeu Pinho Moreira, que aparece com 10% de preferência do eleitorado na última pesquisa. Ele conta com o apoio do ex-governador Luiz Henrique da Silveira e do atual prefeito de Florianópolis, Dário Berger. Moreira já definiu o deputado federal João Matos na sua chapa como candidato a vice. Internamente, uma disputa pela pré-candidatura única ao senado deve se definir nos próximos dias. Os dois ex-governadores Luiz Henrique da Silva e Paulo Afonso Vieira vão ter que passar pelo crivo dos convencionais do partido a fim de saber quem participará da majoritária estadual.

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