Serra e Aécio negociam CPMF com Planalto

Objetivo é manter emenda do jeito que foi aprovada na Câmara

Rui Nogueira e Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2007 | 00h00

Apesar de manter um discurso crítico, acusando o governo de ser "gastador" e de considerar "infanto-juvenis" as ameaças da equipe econômica - que previu cortes nos programas sociais se a CPMF não for aprovada -, os líderes tucanos estão negociando com o Palácio do Planalto para manter a CPMF do jeito que a emenda constitucional foi aprovada na Câmara: prorrogação até 2011 e com alíquota de 0,38%. Na prática, quem está comandando a negociação do PSDB com o Planalto são os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). O ministro Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) passou a noite de segunda para terça-feira em negociação com Aécio, em Belo Horizonte. Serra só não publicou um artigo pró-CPMF em um jornal de grande circulação nacional porque os líderes do PSDB pediram que ele esperasse a conclusão das negociações com o governo. Ontem, o líder dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), disse no plenário da Casa que "o PSDB é partido de diálogo". Depois, divulgou uma lista de "seis pontos-limite" para "negociação com o governo em torno da CPMF". O ponto quinto fala em "alguma redução na alíquota da CPMF". E todos os outros cinco itens da lista são reivindicações que não criam grande embaraço ao governo: aplicar uma trava nos gastos da União via Lei de Responsabilidade Fiscal, adotar um redutor de 0,2% ao ano das despesas correntes, mais recursos para a saúde e desoneração tributária. Virgílio listou, ainda, a idéia de renovar a "CPMF por um período curto, e não para quatro anos", proposta que não agrada aos governadores do próprio partido. A boa vontade tucana ficou mais clara ao fim da reunião da bancada de 13 senadores, ontem, em um almoço. Eles decidiram dar um prazo de 15 dias para que o governo apresente propostas de mudanças e compensações para aprovar a CPMF. A maioria concordou em que o momento é de esperar o que o governo vai propor no almoço de amanhã com o ministro Guido Mantega (Fazenda). Foram convidados para o encontro o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), e os senadores Arthur Virgílio e Sérgio Guerra (PE). "Vamos adotar uma postura de responsabilidade", afirmou o senador Álvaro Dias (PR), que é a voz no PSDB que prega a simples extinção da CPMF. Os tucanos disseram que essas duas semanas servirão também para esperar o parecer da relatora, senadora Kátia Abreu (DEM-TO) - que todos já sabem será contra a prorrogação da contribuição. "Não queremos desmontar o Estado nem desorganizar o governo. Mas até agora o governo só divagou na Câmara. Os senadores do PSDB querem manter sua coerência quando defendem a redução da carga tributária e o controle e a redução progressiva dos gastos públicos", disse Guerra, ressaltando que a gastança do governo é visível nas denúncias de corrupção e não em benefício da sociedade. "Esperamos uma proposta decente, sóbria e segura do governo federal por meio do ministro Mantega."

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