Serra e Aécio ficam fora da festa do PAC da Saúde

Ex-ministro Adib Jatene foi destaque no lançamento do programa

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

Às vésperas da votação da emenda que prorroga a CPMF, o Palácio do Planalto transformou ontem o anúncio do PAC da Saúde numa mobilização para conter a força dos opositores no debate. Defensores do imposto do cheque, os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, não compareceram ao evento.Mesmo assim, o governo comemorou o feito. A solenidade contou com a presença de 18 ministros, 20 governadores e dezenas de parlamentares.O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, ligado a setores influentes da oposição, foi a estrela da festa. Criador da CPMF no governo Fernando Henrique Cardoso, Jatene chorou ao reclamar das limitações financeiras impostas pela área econômica ao setor e foi aplaudido ao acusar os opositores do imposto de sonegar imposto."Os amigos do rei não gostam de pagar", disse Jatene. "O governo fica na contingência de arrecadar muito de quem ganha pouco e arrecadar pouco de quem ganha muito."O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou acompanhar com atenção o discurso. Jatene chegou a relatar que, numa conversa com Pedro Malan, então ministro da Fazenda do governo tucano, disse que a equipe econômica estava muito perto da riqueza e o pessoal da saúde, da pobreza. "O ministro da Fazenda quando vai a São Paulo visita a Fiesp e a Febraban, não vai para a periferia", discursou o ex-ministro.ALARMISMOAliados do governo fizeram discursos considerados "alarmistas" até por assessores do Planalto. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que a oposição está sendo "medíocre" em se opor à emenda da CPMF e, numa eventual derrubada do imposto, a moeda e a estabilidade econômica serão atingidas. "Com que cara estaremos diante dos parceiros econômicos internacionais e diante de pessoas que precisam de hospitais públicos?", indagou. "Milhões de pessoas no meu Estado vão perder com isso."Como havia combinado com o Planalto, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez uma apresentação detalhada do programa - chamado oficialmente de Mais Saúde -, que prevê investimentos de R$ 88,6 bilhões no setor nos próximos quatro anos, sendo R$ 24 bilhões provenientes da CPMF. Temporão mostrou imagens de crianças, gestantes e idosos sendo atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).No evento, Lula ganhou uma camiseta com a inscrição "CPMF Já" da irmã Rita Cecília Coelho, da Santa Casa de Anápolis (GO). Os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), também discursaram a favor do tributo.Um dos convidados a falar, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), declarou que a oposição perderá se o Senado aprovar a manutenção do imposto do cheque. "Não podemos dividir o Brasil em um dos poucos pontos que nos unificam, que é a saúde", afirmou. Mais tarde, em entrevista, Campos avaliou que o evento não foi apelativo. "Não piora a situação. Pelo contrário, foi um ato de força, de mostrar para a opinião pública a importância da CPMF. Em vez de dar porradas, o governo mostrou afeto."

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