Serra e Aécio falam em dialogar com Lula

O governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves, disse nesta segunda-feira que o PSDB não se negará a discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva as questões consideradas fundamentais para o desenvolvimento do País. O governador eleito de São Paulo, José Serra, também sinalizou nesta segunda-feira, ao anunciar parte de seu secretariado, que não vai criar obstáculos a uma conversa com Lula. "Estou à disposição do presidente para uma conversa", emendou o governador eleito, sem entrar em detalhes a respeito do tema. Aécio tratou como "natural" a conversa entre o presidente e o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), mas destacou que a disposição dos tucanos para o diálogo "não se trata de conciliação". "Somos oposição, esse é o papel que as urnas, a população brasileira nos delegou por esse próximo período. Mas isso não impede que nós ajudemos o Brasil a avançar naquilo que pudermos fazer", afirmou o governador mineiro, após receber o embaixador da China, Chen Duqing, no Palácio das Mangabeiras.O governador reeleito de MG disse que não foi contatado por Lula para uma eventual conversa. E não acredita que o aceno do presidente à oposição possa enfraquecer o movimento dos governadores que procura capitanear. Segundo o governador de Minas, o presidente compreende que para o Brasil avançar, é preciso que o País esteja em "harmonia". Agenda consensualO tucano reiterou que sua prioridade agora é criar uma agenda consensual entre os governadores eleitos e reeleitos para ser levada ao Congresso Nacional e depois ao Planalto. "Para que o governo possa saber aquilo que é efetivamente prioridade dos Estados e municípios".Aécio, insistindo na tese da desconcentração das receitas nas mãos da União, argumentou que Estados e municípios precisam readquirir a capacidade de investimento e que o "grande gesto" de Lula neste momento será compreender isso. Ele disse que "alguns sinais até nessa direção têm ocorrido". "Vamos aguardar que esses sinais se transformem em propostas objetivas".O governador de Minas disse também que vai continuar mantendo contatos com os colegas para "amadurecer" uma proposta dos Estados, para que ela possa ser discutida no Congresso já em fevereiro do ano que vem. "Esse é o jogo democrático correto, transparente e legítimo. E o presidente da República tem todas oportunidades de buscar diálogo, de buscar convencer não apenas seus aliados, mas os atores da oposição".Colaboraram Eduardo Kattah e Elizabeth Lopes

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