Serra diz que uso da máquina pública na campanha 'não é novidade'

Em entrevista, presidenciável disse que pretende fazer ampla mudança na política econômica

Alfredo Junqueira, de O Estado de S.Paulo,

20 de outubro de 2010 | 13h37

RIO - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB), comentou nesta quarta-feira, 20, pela manhã no Rio a revelação de que o inquérito da Polícia Federal (PF) comprovaria a ligação entre o jornalista Amaury Ribeiro Junior, que participou de reunião da equipe de inteligência da pré-campanha do PT, e o despachante Dirceu Garcia, que teria intermediado a compra dos dados obtidos a partir da quebra dos sigilos fiscais de líderes do PSDB e de integrantes da família do candidato. Para o candidato, esta eleição é aquela em que mais houve uso de máquina e espionagem durante a campanha.

 

"Isso não é novidade. Usar isso, usar máquina pública, usar ministros, empresas. Nunca houve no Brasil um uso de máquina e uma pressão de dossiê de espionagem e de mentiras tão grande como agora. Eu não me lembro de nenhuma eleição parecida", disse Serra.

 

Entrevistado pela Rádio Tupi no Rio de Janeiro, Serra voltou a garantir que, se eleito, vai governar em parceria com todos os governadores e prefeitos - independentemente de suas filiações partidárias. Prometeu investimentos de R$ 15 bilhões em Saúde Pública, sendo R$ 3 bilhões para saneamento e R$ 12 bilhões para programa para Saúde da mulher e infantil. Serra ainda disse que promoverá uma reforma administrativa, na qual pretende enxugar a máquina do Estado e priorizar a contratação nas áreas de Saúde, Segurança Pública e Educação.

 

Economia

 

Serra disse ainda que a escolha de uma equipe harmônica para cargos no Banco Central e nos ministérios da Fazenda e de Planejamento é o ponto de partida para a ampla mudança que ele pretende fazer, caso seja eleito, na política econômica do País. Segundo ele, a escolha dos integrantes dessas três instituições é fundamental para realizar alterações graduais necessárias para estimular a produção interna e a geração de empregos no País.

 

"Eu creio que o ponto de partida é ter uma equipe harmônica. Banco Central, Planejamento e Fazenda atuarem planejada e integradamente. Conjuntamente. Com isso, você pode fazer mudanças graduais seguras de política econômica que favoreçam mais a produção e a geração de empregos no Brasil. Inclusive, as nossas exportações", disse o candidato tucano, logo após participar da entrevista no Rio.

 

"Você hoje tem um quadro de juros e taxas de câmbio que não são favoráveis ao crescimento e ao equilíbrio econômico. Funciona a curto prazo, mas a médio e longo prazo, não funciona. Mas você não vai corrigir essa situação com mudanças bruscas. Você começa a corrigir essa situação pondo no governo uma equipe integrada, com os mesmos objetivos e trabalhando em comum, e de alta qualidade", explicou Serra.

 

O tucano não quis, no entanto, indicar se achava que atual equipe econômica atuava sem integração e de forma desarmônica. "É isso o que eu tinha a dizer", cortou o candidato.

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