Serra diz que tomará providências judiciais por quebra de sigilo de sua filha

O tucano culpa o PT e a campanha de sua principal adversária, Dilma Rousseff, pelo vazamento

Carolina Freitas, da Agência Estado

01 de setembro de 2010 | 18h35

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, disse nesta quarta-feira, 1, em São Paulo, que tomará providências judiciais para esclarecer a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica. "As providências são jurídicas, porque nós não fazemos contra-baixaria. Os advogados do partido e pessoais vão cuidar disso", afirmou, após encontro com sindicalistas na capital paulista. O tucano culpa o PT e a campanha de sua adversária Dilma Rousseff pelo vazamento. "São dois crimes. O crime contra a constituição, que é quebrar o sigilo, e o crime de falsidade, por forjar documentos."

 

Segundo a Receita Federal, os dados de Verônica teriam sido acessados por pedido dela, por meio de uma procuração dada a Antonio Atella Ferreira. A filha do presidenciável, no entanto, não tem firma registrada no cartório em que o documento foi emitido. Questionado se conhece Ferreira, Serra demonstrou irritação e respondeu apenas que já estava "provado" que a procuração era falsa. "Vocês já têm o desmentido, já sabem disso. Não vou comentar", afirmou.

 

Serra voltou a comparar sua situação com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, quando candidato em 1989, foi alvo de acusações pessoais por parte do então adversário Fernando Collor de Mello. O ex-presidente levou para a TV o depoimento de uma filha de Lula. "A candidatura de Dilma está querendo fazer comigo a mesma coisa que Collor fez com Lula em 1989. Pelo receio de que nós ganhemos a eleição, recorrem ao jogo sujo, ao jogo mais baixo."

 

O candidato do PSDB disse não estar preocupado com o impacto do episódio nas urnas. "Estou preocupado é com o Brasil e com esse jogo sujo utilizando o aparato da máquina do governo para fins eleitorais da pior maneira. Não é uma questão pessoal nem de urnas." O tucano reforçou a defesa da filha. "Verônica é uma mulher com três filhos pequenos, cuida deles e trabalha. Ela nunca teve nada com política, nunca teve nenhuma relação com o governo", disse o candidato. "Eles querem colocar a minha filha, que não tem nada a ver com isso, no centro de um jogo sujo, fraudulento, para poder faturar com isso eleitoralmente."

 

Serra reuniu-se na tarde de hoje com representantes de quatro centrais sindicais: a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Força Sindical, a Nova Central e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). O evento reuniu 300 pessoas em um salão do Clube Homs, na Avenida Paulista, região central da capital paulista. Os sindicalistas anunciaram a criação de um Comitê Supra Sindical de apoio a Serra. Nos discursos, os dirigentes lembraram o trabalho de Serra como parlamentar na criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do seguro-desemprego. Serra e o candidato ao governo do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, esforçaram-se para dar um tom otimista ao ato.

 

Ao microfone, Alckmin disse que "a campanha está apenas começando" e garantiu, aos brados: "Vamos ganhar as eleições". Serra pediu aos sindicalistas que não só votem nele para presidente, mas também multipliquem o voto, divulgando a sua candidatura. "Eleição se ganha pedindo voto, soprando para que formemos uma ventania que leve a nossa candidatura ao posto da vitória. Vamos ganhar, vamos ganhar!", repetiu.

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