Serra diz que 'todo mundo sabe' da ligação do PT com as Farc

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou hoje que "todo mundo sabe" da ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas salientou que isso não significa que o partido tenha vínculos com o narcotráfico. Durante a inauguração de um comitê tucano em Belo Horizonte, Serra foi questionado sobre a polêmica entrevista concedida por seu vice, Indio da Costa (DEM), ao site Mobiliza PSDB - na qual afirma que "todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior ". O vídeo foi retirado do ar.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

19 Julho 2010 | 18h59

Apesar de dizer que os esclarecimentos cabem a Indio, o candidato tucano endossou o vice no que se refere às ligações das Farc com o Partido dos Trabalhadores. "A ligação do PT com as forças armadas revolucionárias colombianas todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico. Isso não significa que o PT faça o narcotráfico."

A princípio, Serra procurou minimizar as declarações de Indio - afirmando que se trata de uma opinião - e aproveitou para cobrar apuração do caso do vazamento do Imposto de Renda de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB. A suspeita é que o os dados do dirigente tucano tenham abastecido um suposto dossiê que estaria sendo organizado pelo chamado "grupo de inteligência" da pré-campanha da candidata petista, Dilma Rousseff.

"Os esclarecimentos do que disse, do que não disse, o próprio Indio da Costa o fará. Agora, de toda maneira, aí nós estamos discutindo opiniões. Alguns podem gostar, outros não gostar", declarou Serra, chamando a atenção para o que considera "uma coisa mais séria". "Que é quebra de sigilo, que é afronta à Constituição, prática de crime". Para o candidato do PSDB, a quebra de sigilo seria usada "como arma para baixaria eleitoral". "Essa questão precisa ser apurada, ir para a Justiça e ser resolvida ali na Justiça, porque é um crime muito grave como vários outros que têm sido praticados, cercando toda essa história de dossiê."

Metamorfose

Serra também comentou a possibilidade de o PT entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a subprocuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. O tucano ironizou, afirmando que partido adversário, de forma recorrente, busca culpados quando pratica ilegalidades. O PT estuda a medida porque considera que a subprocuradora age com rigor em excesso ao solicitar investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob acusação de abuso de poder político em favor de Dilma.

Serra, contudo, preferiu atacar o PT e manteve a estratégia de evitar críticas diretas a Lula. "O PT faz uma coisa sempre interessante. Quando pratica algo ilegal com alguém, a vítima passa a ser a culpada. Quando é condenado pela Justiça, a Justiça passa a ser culpada. Realmente é uma capacidade de metamorfose sensacional, mas que tem muito pouca credibilidade. Francamente, eu nunca tinha ouvido isso."

Perguntado em seguida se Lula não estaria desafiando a Justiça Eleitoral, o presidenciável repetiu que o presidente não é candidato. "O Lula a partir de 1º de janeiro não é mais presidente da República, não é em torno dele que a campanha está centrada. A campanha de ninguém", ressaltou.

Votar melhor

Em companhia do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, candidato à reeleição, e do ex-governador Aécio Neves, que disputa uma vaga no Senado, Serra participou da inauguração de um comitê tucano na região central da capital mineira. Os candidatos conversaram com populares e fizeram uma rápida caminhada até o comitê, acompanhados de cabos eleitorais.

Serra voltou a se comprometer com obras federais em Minas, como a ampliação do metrô de Belo Horizonte e do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e investimentos no Anel Rodoviário da capital. Antes, o presidenciável participou do popular programa TV Verdade, da Alterosa, uma emissora local. Serra respondeu perguntas de telespectadores; repetiu que pretende manter e fortalecer o Bolsa-Família e exortou os eleitores a votarem melhor ao responder um questionamento. "Em Brasília tem de tudo. Tem gente boa e gente muito ruim. Tem malandro e tem gente séria. Só não tem gente que não foi eleita no Congresso Nacional. Todo mundo que está lá foi eleito. Então, vamos votar melhor", disse, reiterando que é favorável ao projeto Ficha Limpa.

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