Serra diz que seu governo não cultivou 'roubalheira'

Governador fez balanço de sua administração nesta quarta: 'Me sinto revigorado, fortalecido, porque nós fizemos as coisas acontecer em São Paulo'

Estadão.com.br com Carolina Freitas

31 de março de 2010 | 16h12

Em um discurso de 53 minutos para 4,5 mil pessoas, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), se despediu do cargo oficialmente nesta quarta, 31. No pronunciamento, disse que seu governo nunca cultivou a "roubalheira" e afirmou governar "para o povo, não para os partidos".

 

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"Os governos, como as pessoas, têm de ter caráter e índole. Este é um governo de caráter", disse. "Os governos têm de ter honra. Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras. Nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito", afirmou.

 

"Governo, como as pessoas, tem de ter alma. A nossa alma, a alma desse governo é a vontade de melhorar a vida das pessoas, para que todos tenham oportunidade de melhorar", declarou Serra. "Governamos para o povo, não para os partidos", completou. Serra disse entrar na nova etapa com "disposição, força e fé" e conclamou os ouvintes: "Vamos juntos. O Brasil pode mais."

 

Governo popular

 

Serra disse ainda ver seu governo como "popular". Segundo ele, sua gestão deu "oportunidade aos mais pobres", com programas assistenciais e com a transferência de renda por meio da melhoria de serviços de saúde, educação e transportes. O tucano destacou ainda a geração de 1 milhão de empregos em sua administração.

 

O presidenciável contou ainda um episódio ocorrido durante a inauguração do Rodoanel Mário Covas, na terça-feira, 30, quando encontrou trabalhadores da obra. "A emoção me dominou quando um operário me mostrou, orgulhoso, onde estava o nome dele em um monumento que eu mandei construir", disse. "Pensei comigo: valeu a pena."

 

Serra agradeceu também pelo trabalho dos "funcionários públicos de verdade", que o ajudaram a governar. "Servidor não trabalha direito se o exemplo não vem de cima. Nós demos o exemplo", afirmou. Serra lembrou ainda a medida adotada por seu governo de remunerar melhor os professores de acordo com seu mérito.

 

Ele prometeu reagir com serenidade quando provocado  por seus adversários políticos. Afirmou nunca  ter torcido pelo fracasso do governo de seus opositores, pois isso significaria ser contra o bem da população.  "Já fui governo e oposição. De um lado ou de outro, nunca me dei à  frivolidade das bravatas, nunca investi no quanto pior melhor, nunca exerci a política do ódio."

 

Segundo o governador, seus adversários podem atestar seu comportamento. "Jamais mobilizei falanges de ódio. Não sou assim. Não vou mudar, ainda que venha a ser alvo dessas mesmas falanges. Ao eventual ódio eu reajo com a serenidade de quem tem São Paulo e o Brasil no coração. Esse amor é a base da minha firmeza."

 

Durante o discurso, ele negou ainda sua fama de centralizador. "Não sou centralizador. O pessoal de Brasília ri ironicamente. Mas o pessoal de São Paulo me conhece e sabe que não sou centralizador", acrescentou.

 

10 minutos de saudações

 

O tucano iniciou seu discurso saudando a cúpula nacional do DEM, do PSDB e do PPS, secretários, parlamentares e muitos outras pessoas que estavam no evento - ao todo, foram mais de 10 minutos de saudações. Entre os presentes, Sergio Guerra e Tasso Jereissati (PSDB), Kátia Abreu, Rodrigo Maia e Gilberto Kassab (DEM), além de Roberto Freire (PPS).

 

Os militantes que não puderam acompanhar a cerimônia no Auditório Ulysses Guimarães, assistiram ao evento em dois telões instalados no gramado em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Depois do discurso no auditório, Serra apareceu na sacada do Palácio dos Bandeirantes e fez um breve pronunciamento para a população.

 

Em frente ao Palácio dos Bandeirantes, o governador destacou: "Me sinto revigorado, fortalecido, porque nós fizemos as coisas acontecerem em São Paulo." E completou: "Ainda temos 9 meses pela frente, e o governo será conduzido por um homem honrado, um patriota, que lutou pela democracia", dize, referindo ao seu vice, Alberto Goldman.

 

Serra entrega sua carta de renúncia à Assembleia Legislativa de São Paulo nesta sexta-feira (2). O vice-governador, Alberto Goldman, assume o governo do Estado até o final do ano. No dia 6 de abril, Goldman toma posse do cargo de governador, em duas solenidades, na Assembleia e na sede do governo.

 

 

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