Serra diz que posição do País sobre Farc é 'equivocada'

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou o governo federal de confundir política externa com política partidária e condenou a conivência do PT em relação às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Ao meu ver, a posição brasileira neste caso é equivocada. O Brasil deveria explicitar que se trata de uma força terrorista e ligada ao narcotráfico. São narcotraficantes", afirmou. "Creio que o Brasil deveria explicitar esse conceito em relação às Farc."

ANNE WARTH, Agência Estado

02 de setembro de 2010 | 16h33

Em mais um ataque à sua principal adversária na disputa eleitoral, Dilma Rousseff (PT), Serra disse que Olivério Medina, ex-padre e porta voz das Farc, é "uma espécie de embaixador internacional" do grupo no País e que Dilma, quando foi ministra-chefe da Casa Civil, assinou documento que liberou a esposa de Medina, Angela Slongo, para assumir um cargo no Ministério da Pesca.

Serra afirmou ainda que as fronteiras brasileiras são as mais mal guardadas do mundo, "ao contrário do que Dilma disse". "Temos que fazer nosso dever de casa, que é combater o contrabando nas nossas fronteiras", afirmou o tucano, em entrevista coletiva concedida após se reunir com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, no hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista.

Serra também criticou o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que classificou as Farc como "movimento insurgente". "O PT teve lá suas relações com as Farc. O segundo personagem do governo que comanda a política externa, Marco Aurélio Garcia, disse muito claramente que as Farc são uma força política. Não falou nem de narcotráfico nem de terrorismo."

"A política externa brasileira, devido a ideologia e ligações políticas do partido do governo acaba sendo inadequada para a defesa dos interesses nacionais. Não é uma política de Estado, mas é uma política de partido."

Pressão diplomática

Serra defendeu ainda que o Brasil faça pressão diplomática sobre a Bolívia para impedir a entrada de drogas País. "O Brasil tem se abstido de uma pressão diplomática mais direta com relação à Bolívia. Ao meu ver, o governo boliviano tem uma espécie de cumplicidade com relação à exportação de drogas ilegalmente para o Brasil, porque não toma medidas a esse respeito", afirmou.

"O Brasil tem tido uma relação amistosa com a Bolívia, o que é bom. Mas temos dever de fazer pressão diplomática para que o governo boliviano ajude a limitar a exportação ilegal de cocaína para o Brasil", disse o presidenciável.

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