Serra diz que 'não há motivos' para preocupação com suposto cartel

No lançamento de livro de Fernando Henrique Cardoso, ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) afirma também que encontro com dirigentes do PPS nesta quinta, 15, foi 'troca de ideias'

Guilherme Waltenberg, Agência Estado

15 de agosto de 2013 | 23h25

SÃO PAULO - O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) disse na noite desta quinta-feira, 15, que "não há motivos" para preocupação com possíveis consequências negativas para o seu partido decorrentes da denúncia de formação de um suposto cartel em licitações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô, durante administrações tucanas no Estado de São Paulo. Para ele, não haverá "nenhum impacto" para o partido, como houve para o PT com a eclosão do escândalo do mensalão em 2005. "No PT tinha escândalo, (no caso dos trens) não ha escândalo até agora", reforçou.

Serra defendeu as investigações e afirmou que o principal cliente da Siemens - empresa que assumiu a existência e sua participação na formação de cartéis em licitações - é o governo federal. "A principal cliente dela (Siemens) é o governo federal, o sistema Eletrobras", afirmou. "Creio que o importante é que se investigue tudo e que se punam os culpados eventuais e que se devolva ao estado brasileiro e aos estados o fruto de malfeitos, se tiverem ocorrido", emendou.

"A operação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foi muito bom ter investigado. Apenas está faltando o resto. E a atividade da empresa junto ao governo federal, ao sistema federal?", indagou. "É a mais importante de todas e merece que o Cade estude e investigue isso. Não estou invalidando investigar uma parte, mas tem que investigar tudo", defendeu.

PPS. Indagado sobre qual o tema do seu almoço com dirigentes do PPS, realizado nesta quinta-feira, Serra disse que foi apenas uma "troca de ideias" e que não houve nenhuma discussão a respeito de uma possível troca de partido para que ele possa concorrer à presidência, já que o virtual candidato do seu partido é o senador mineiro Aécio Neves. O PPS disse ter reiterado convite a Serra para que ele ingresse no partido.

"Converso sempre com o pessoal do PPS, somos do mesmo campo político no Brasil. Não há nenhuma novidade a esse respeito. Não houve pedido (para que ele se filie ao partido). Foi troca de ideias e muito da política brasileira", afirmou. O PPS, no entanto, publicou nota na tarde desta quinta-feira dizendo que "reiterou" seu convite para que Serra integre a legenda.

Serra voltou a criticar o que chamou de "antecipação" do calendário eleitoral. "Acho que há uma antecipação muito grande dessas questões eleitorais. Eu não estou com a cabeça nisso. Estou mais com a cabeça em analisar os problemas brasileiros", afirmou.

Serra presenciou palestra proferida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre seu novo livro, Os Pensadores que Inventaram o Brasil, realizado em um cinema na região central da cidade.

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