Serra diz que modelo petista se esgota com escândalos

A oito dias do segundo turno para a eleição à Presidência da República, o candidato José Serra (PSDB) e as principais lideranças tucanas paulistas subiram o tom dos ataques ao PT, ao governo federal e à candidata adversária Dilma Rousseff (PT). Em evento político em Araraquara (SP), Serra disse que o "modelo petista está se esgotando e os escândalos são dois ou três por dia", numa referência às novas denúncias publicadas pela imprensa contra membros do partido e do governo.

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

23 de outubro de 2010 | 15h01

O ex-governador de São Paulo disse que ainda não tinha lido jornais e revistas, mas comentou as novas denúncias de revista Veja, de que dossiês contra adversários eram encomendados por Dilma e pelo chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, à Secretaria Nacional de Justiça. "Não me surpreenderia, o uso da máquina do governo para atacar adversários é comum, é habitual", comentou Serra. "Temo que o escândalo se banalize, o mau exemplo seja banalizado, o que é muito grave."

Ele evitou comentar o indiciamento de Gilberto Carvalho pela Justiça. O chefe de gabinete de Lula foi acusado de participar de quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na Prefeitura de Santo André. O desvio dos cofres públicos, segundo a acusação, chegou a R$ 5,3 milhões. O governador paulista, Alberto Goldman (PSDB), sucessor de Serra, afirmou que Carvalho foi denunciado "porque pertencera àquele grupo que recolhia dinheiro em Santo André, que assassinou o prefeito Celso Daniel", acusou, numa referência à morte de Daniel em 2002.

Goldman voltou a comparar Lula ao ex-ditador alemão Adolf Hitler, pela defesa que o presidente fez aos protestos contra Serra esta semana, no Rio de Janeiro. "Na Alemanha, quando Hitler venceu as eleições e não tinha maioria no Parlamento, mandou queimá-lo e colocou a culpa na oposição; assim começou a ditadura nazista", afirmou o governador paulista. Ele ainda chamou o PT de "Nova Arena", referindo-se ao partido que comandou o governo durante a ditadura militar no Brasil.

Durante o discurso de cerca de 15 minutos, Serra criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo Lula e de Dilma. O tucano chamou o PAC de "uma listagem de obras que não existem" e ironizou as críticas feitas a ele de que iria acabar com o programa. "Como se alguém pudesse acabar com algo que não existe", disse.

Serra voltou ainda a lamentar os tumultos no Rio de Janeiro, quando precisou ser atendido por médico após confusão durante uma caminhada, na qual foi atingido na cabeça. Ele considerou novamente como "lamentável" as ironias feitas pelo presidente Lula e disse que o episódio foi apenas mais um durante a campanha. "Isso que aconteceu no Rio de Janeiro não foi a primeira vez: sábado passado, no Ceará, na porta da missa havia uma tropa de choque liderada por um padre que é deputado federal; foi assim em Itapetininga (SP), em Osasco (SP) e após um debate na TV Canção Nova quando fomos ameaçados pela tropa que o (Aloizio) Mercadante (senador pelo PT/SP) organizou", completou.

Serra admitiu ainda que o fato de a eleição acontecer durante um feriado pode afastar os eleitores das urnas e pediu que eles adiem a viajem para domingo após a votação. "Vote e depois vá, perca o feriado e ganhe um feliz Ano Novo".

Já o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), engrossou o coro de protestos contra o presidente Lula e disse que ele "não faz política com humildade" e que a "arrogância (de Lula) no primeiro turno acabou levando sua candidata para baixo". O governador eleito criticou também as declarações irônicas feitas por Lula contra Serra após o tumulto no Rio de Janeiro. Alckmin disse que se solidarizava com Serra "pela agressão sofrida" e afirmou ser "lamentável esse comportamento (dos agressores) e mais lamentável ainda o comportamento do presidente da República, que deixa de ser chefe de Estado para zombar da lei, para brincar com coisa séria e indiretamente incitar a violência", completou. Alckmin afirmou ainda que Lula deveria se lembrar das palavras de Otávio Mangabeira, ex-governador e ex-senador baiano, morto em 1960. "Ele devia se lembrar do Mangabeira, que dizia ''ninguém pode tudo, sobretudo, ninguém pode sempre''", citou.

Ao final do discurso de Alckmin, um manifestante subiu ao palco para protestar contra a educação em São Paulo. Dizendo ser um secretário de escola estadual e identificado apenas como Natan, o rapaz tentou entregar uma carta ao governador eleito com, segundo ele, críticas ao ensino público no Estado. Ele foi retirado por seguranças e xingado por militantes. "Esse é o PT que agride", gritou o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB), que iniciava o discurso. "Eu não sou filiado a qualquer partido", respondeu o manifestante, já na rua.

Por fim, o senador eleito Aloysio Nunes (PSDB) criticou o manifestante e relacionou o protesto aos outros contra Serra no Rio de Janeiro. "Eles substituem a troca de argumentos por porrada no adversário como fizeram no Rio de Janeiro; essa é a cultura política que devemos barrar, para evitar que a política seja substituída por um chavismo vagabundo, uma tropa de choque fascista treinada por políticos do PT."

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