Serra diz que há contradição na lei eleitoral

'Eu não vou entrar nessa polêmica, mas não há essa igualdade entre ambos os lados em matéria de transgressão', disse tucano

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 18h56

SANTA MARIA - Enquanto os departamentos jurídicos de partidos aliados ao PSDB e dos aliados ao PT tentam acusar um ao outro de antecipar a campanha eleitoral, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, ex-governador de São Paulo José Serra, afirmou nesta terça-feira, 4, em Santa Maria, a cerca de 280 quilômetros de Porto Alegre, na região central do Rio Grande do Sul, que há contradição na lei eleitoral, que manda que manda desincompatibilizar-se do cargo em 1º de abril, mas marca a campanha formal somente para junho, o que acaba provocando transgressões.

 

No entanto, acusou os adversários de transgredirem a lei."Eu não vou entrar nessa polêmica, mas não há essa igualdade entre ambos os lados em matéria de transgressão", alertou, logo após participar de almoço com cerca de 200 políticos, empresários e integrantes de associações comunitárias e antes de percorrer o centro da cidade para tomar cafezinho, cumprimentar eleitores, tirar fotos e ganhar presentes. "Seria injusto dizer, no atacado, que estamos fazendo o mesmo tipo de coisa", ponderou.

 

Confrontado com a acusação de que um evento de evangélicos em que discursou no dia 1º de abril teve ajuda financeira do governo de Santa Catarina e da prefeitura de Camboriú, administrados por correligionários dele, o pré-candidato disse que "não tinha ideia" sobre isso. "Não houve nenhum uso...tinha lá gente do PT no palco, tinha todo mundo", afirmou. "E eu não disse nada a respeito de eleição diretamente." Questionado sobre sua possível participação, caso tivesse conhecimento prévio dos recursos públicos investidos, ele afirmou que "ia averiguar melhor". Mas adiantou que possivelmente tomaria a mesma decisão de ir.

 

Em Santa Maria, o evento principal foi um almoço por adesão, a R$20,00. Aproximadamente 200 pessoas participaram, mas, quando os discursos começaram, todos já estavam alimentados e metade deixou o restaurante. De acordo com o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Cláudio Diaz, a organização foi da executiva nacional do partido e da coordenação nacional da campanha, "com o objetivo de iniciar por aqui a interlocução com outros partidos, particularmente o PMDB". E havia vários peemedebistas, a começar pelo prefeito da cidade, César Schirmer. Ele, no entanto, vai defender a candidatura própria na convenção, com um olho em Serra, caso a tese não vingue, o que é mais provável.

 

No discurso, Serra disse que às vezes as pessoas ficam surpresas quando ele considera positiva alguma atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu nunca joguei no quanto pior melhor", salientou. "É do meu temperamento." Mas afirmou que questão bem diferente seria considerar que o Brasil está pronto. "Não houve os avanços que a gente precisa", afirmou. Para ele, há três pontos fundamentais a serem atacados: saúde, segurança e educação. Segundo o pré-candidato, o Brasil teve uma experiência de 25 anos em que se afirmou o regime democrático e comemoraram-se muitas conquistas.

 

E deu uma estocada no presidente. "Não é obra de um homem, de um partido. Pelo contrário, o partido que não homologou a constituição, foi contra o Plano Real, foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi contra o Fundef, acabou tirando proveito de tudo isso, inclusive do clima de liberdade", disse. "Convenhamos que o Brasil ter um presidente de origem operária é uma coisa fenomenal para a história do Brasil e até do mundo, mas isso graças às conquistas que aconteceram antes."Ele também falou sobre as dificuldades de se conseguir alianças e que aprendeu isso quando estava no exílio e, logo depois, quando teve o mandato de deputado federal cassado. "Aprendi que na vida política nós temos sempre que andar num fio de navalha. De um lado, a traição aos princípios, de outro lado, a ruína de um projeto político", ressaltou."De um lado não quero trair, de outro tenho que ter forças para poder tocar para frente, eu tenho que ter alianças, se não tenho, vou dar com a cara na parede." Ele prometeu que, se eleito, pretende somar com os brasileiros. "Não tratando a oposição como inimiga", destacou.

 

O maior número de aplausos foi ouvido quando o pré-candidato novamente desancou o Movimento dos Sem-Terra (MST). "O MST não é um movimento social", repetiu. "Defendo até a morte o direito de serem radicais, o que não gosto muito é de disfarçar a militância política com a questão social." No fim da tarde, Serra tomou novamente o jato, com prefixo PR-MLR em direção ao aeroporto de Santo Ângelo, distante aproximadamente 200 quilômetros, de onde rumaria, de carro, até Santa Rosa, a cerca de 70 quilômetros, para participar da 18ª Festa Nacional da Soja (Fenasoja). No dia 6, ele estará em Porto Alegre para várias atividades, entre elas uma reunião na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul.

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