Serra diz que fuga de debates é 'física e de ideias'

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse hoje ver uma "fuga do debate" na disputa eleitoral deste ano. Em uma referência indireta à sua adversária Dilma Rousseff, do PT, o tucano afirmou: "Há uma fuga do debate não apenas física, mas também de ideias." Dilma tem recusado convites para debates em veículos de comunicação.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

29 Julho 2010 | 20h34

Segundo Serra, está "difícil" debater temas de governo. "Não se debatem temas. Hoje tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas, e uma atitude de ofendido quando você diz alguma coisa que todo mundo sabe que é verdade", afirmou, após ser sabatinado na Rede Record, em São Paulo.

Serra voltou a classificar-se como um político de esquerda, em resposta a petistas que o chamaram de integrante da "direita troglodita". "Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor irrestrito dos direitos humanos. Eu não teria confiado no Ahmadinejad", disse, em referência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que recebeu apoio do governo brasileiro diante da comunidade internacional.

Apesar da polêmica em torno do rótulo de "direita", Serra disse não se incomodar com ele. "Não incomoda nem ''desincomoda''. É apenas gente que não tem o que dizer, é de direita e inventa factoides." O tucano lembrou ainda dos componentes do que tem chamado de "tripé maldito" da economia para distinguir a direita e a esquerda. "Defender o maior juro real do mundo não é ser de esquerda, defender a menor taxa de investimento governamental do mundo não é ser de esquerda, defender a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento também não é ser de esquerda."

Sem-terra

Crítico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Serra disse que em um eventual governo tucano faria novos assentamentos e atuaria para aumentar a produtividade dos que já existem. "Hoje você tem muitos assentamentos cujos proprietários vivem de cesta básica." Questionado sobre como trataria o MST caso se eleja presidente, o candidato respondeu: "Como um movimento político que tem toda a liberdade para expor suas ideias e para se organizar. Agora, eu não vou subsidiar com recurso dos contribuintes, como é feito hoje."

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