Serra diz que existe diálogo entre PSDB e peemedebistas

Governador resiste a falar como presidenciável, alegando que ?2010 está mais longe do que parece?, mas destaca sua boa relação com o PMDB

Roberto Godoy e Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

Embora diga que "2010 está mais longe do que parece" e garanta que não está "focado" na corrida presidencial e não negocia apoio, o governador José Serra admitiu, em entrevista ontem à TV Estadão: "Existe um diálogo do PSDB com o PMDB, isso é indiscutível." O partido foi o grande vitorioso da corrida municipal e é cortejado tanto pelos partidos governistas como de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assista à íntegra da entrevistaIndagado sobre o saldo dos peemedebistas, Serra admitiu que o partido sai com "posição forte, do ponto de vista nacional". "O PMDB é um partido que tem capacidade, elasticidade. Fogaça, em Porto Alegre, tinha sido do PMDB, foi eleito pelo PPS, voltou para o PMDB e aí foi reeleito. Paes era PSDB, foi eleito pelo PMDB. O PMDB consegue absorver integrantes de outros partidos em situações-chave e conseguiu esse resultado bastante apreciável."Serra resiste, porém, a admitir a candidatura a presidente. Diz que o partido conversa com o PMDB, não ele. "Não estamos negociando 2010", afirmou.Mesmo assim, o tucano destacou a boa relação que mantém com o partido: "Temos proximidade com muitos setores do PMDB. Quando fui candidato em 2002 tive o apoio do PMDB, na eleição presidencial. E há proximidade, até em alguns casos mais pessoal do que política."Tomando cuidado para evitar falar como presidenciável, Serra insistiu em que a corrida municipal "foi uma eleição local". E acrescentou: "2010 ainda falta muito para chegar, tem muito tempo daqui até lá e eu, realmente, não estou focado na questão de eleição. Os jornalistas estão. Eu não estou na questão de 2010 porque tem muito chão, tem muita coisa para acontecer daqui até lá."O governador listou os pontos que, segundo ele, impedem raciocinar agora em torno da sucessão de Lula: "Quero apenas mencionar de passagem a crise econômica, que está chegando ao Brasil, impasses políticos, problemas de alianças partidárias. Há muita coisa indefinida no ar a respeito das suas conseqüências e do que vai acontecer, de modo que 2010 está longe, mais longe do que parece."MONOPÓLIOAo fazer um balanço do País que saiu das urnas, o tucano disse: "O fundamental que essa eleição mostrou é que ninguém tem o monopólio da verdade nem do voto. A eleição sublinhou a pluralidade, a diversidade da vontade do eleitorado. Esse é o aspecto mais importante. Se for olhar o conjunto do Brasil e também o que aconteceu no primeiro turno, você vê que o povo não concentrou os votos, não deu a ninguém o monopólio."Indagado se sai também vencedor das urnas na cidade de São Paulo, onde viu seu padrinho político, Gilberto Kassab (DEM), reeleito - contra a mesma adversária que ele próprio bateu, em 2004 -, o tucano se disse "muito satisfeito". "Me considero partícipe pelo fato de que fui eleito em 2004, Kassab era o meu vice, deu continuidade ao programa que nós começamos na prefeitura, ampliou, inovou, fez coisas até diferentes e deu certo", comentou. "Kassab foi eleito, ou reeleito, devido à boa administração que ele fez em São Paulo. Não é o fato de ser meu afilhado, até porque os meus afilhados têm menos idade."

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