Serra diz que é preciso examinar perdas na reforma tributária

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou nesta terça-feira, ao deixar a Granja do Torto onde participou de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é importante discutir os detalhes sobre a proposta de reforma tributária apresentada pelo governo federal. Citou especificamente a questão das perdas de arrecadação que alguns Estados poderão ter com a adoção de um novo modelo tributário."Temos agora que examinar as perdas, o prazo de transição e todas as questões técnicas. É um debate para a área técnica que deve afinar a discussão porque, em matéria de reforma tributária, o perigo está no detalhe", afirmou o governador.Na sua avaliação, a mudança no modelo tributário é difícil e complexa. "Mas eu espero que dê certo. Estou esperançoso que vá a frente", afirmou.O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), comentou que o sentimento dos governadores "foi de aceitação" da sugestão do governo de elaboração conjunta de uma proposta de reforma tributária. "A gente reconhece que se criou um clima favorável à reforma tributária, que não existia antes." Arruda enfatizou que a proposta do governo tem como o princípio "a neutralidade e simplificação tributária", e seu "ponto de partida é a nota fiscal eletrônica." Segundo Arruda, os governadores deixaram claro, na reunião com Lula, que o projeto da reforma tributária só poderá avançar no momento em que as contribuições sociais forem colocadas na mesa de discussão. Serra disse que o governo fez uma acolhida amistosa à tese dos governadores de que o governo federal deve desonerar o PIS-Cofins dos investimentos feitos an área de saneamento. "A medida vai na direção do que o governo quer com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é aumentar os investimentos no setor. Se a desoneração for feita, haverá investimento adicional de R$ 1,3 bilhões", disse.Com relação ao refinanciamento da dívida, Serra foi lacônico. "Os termos desta proposta não foram esclarecidos. Foram apenas declarações de propósitos". O governador paulista ressaltou ainda que na reunião não se bateu o martelo sobre nenhuma das questões, embora reconheça o avanço e disposição para o diálogo.

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