Cadu Gomes/EFE
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Serra diz que crescimento econômico e direitos humanos unem países de língua portuguesa

Ministro também afirmou que o Brasil vai multiplicar iniciativas na área de cooperação técnica, econômica e empresarial com países lusófonos durante os próximos dois anos

Carla Araújo e Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2016 | 11h50

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou na manhã desta terça-feira, 1º,  que o crescimento econômico e a luta pelos direitos humanos são algumas das questões que unem os países de língua portuguesa. A declaração ocorreu durante a sessão solene de encerramento da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização que será presidida pelo Brasil nos próximos dois anos, em sucessão ao Timor Leste. "Pobreza, saúde e educação nos unem e nos uniram nessa conferência e nos orientam na agenda de trabalho", completou.

Serra disse também que a comunidade de língua portuguesa vai na contramão das forças desagregadoras que ainda existem no mundo e reafirmou que as nações presentes saem do evento mais fortes. "O resultado importante dos nossos trabalhos nessa conferência foi a adoção de diretrizes de uma nova visão estratégica da CPLP", disse, destacando que a organização é "sólida, com objetivos e finalidade bem definidas".

O ministro destacou o ingresso de mais quatro países observadores - Uruguai, Hungria, República Checa e República Eslovaca - e afirmou que o interesse de países da comunidade lusófona mostra que o grupo tem uma vocação global crescente. "Vamos ampliar o diálogo", afirmou. 

Cooperação técnica e econômica. Durante o encerramento da conferência, Serra também afirmou que o Brasil vai multiplicar iniciativas na área de cooperação técnica, econômica e empresarial durante sua presidência na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa no próximo biênio, que terá co como tema "a CPLP e a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável". "São interesses concretos que nos movem para o desenvolvimento de nossos países", anunciou. 

Serra defendeu ainda que a Declaração de Brasília, que foi assinada nesta terça-feira pelos Chefes de Estado, reconhece avanços durante a presidência da organização pelo Timor Leste nos dois últimos anos. Ele firmou que esse é o "espírito" que o Brasil detém ao assumir a liderença do grupo lusófono. “A lição de aproximação e de trabalho conjunto deve inspirar a CPLP”, anunciou.

O ministro ressaltou que a cooperação entre as nações da língua portuguesa vai beneficiar diferentes países em diversas áreas, como saúde, educação e assistência técnica para produção. “Vamos multiplicar o trabalho brasileiro nessas áreas”, antecipou.

Ao citar fala do secretário-geral eleito da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na segunda-feira, 31, Serra ressaltou que a organização lusófona é um grupo multicultural com grande capacidade de construir pontes. "Os países da CPLP compartilham valores comuns que permitem atuação conjunta", disse o ministro. "Somos fortes defensores da paz, do Estado de direito, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. São orientações básicas de nossa política em relação aos demais do mundo."

Segundo Serra, essas são características cada vez mais importantes num momento em que crescem no mundo "a xenofobia, o populismo e o protecionismo exacerbado" e no qual a diplomacia e a solução negociada de controvérsias cedem espaço para conflitos. Ele comentou ainda que parece ter-se concretizado a previsão de George Bernard Shaw: "o que a história nos ensina é que ela não nos ensina nada."

 

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