Serra diz que acabará com 'praga do apadrinhamento'

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prometeu hoje que, se eleito, extinguirá da administração federal a prática do apadrinhamento, que, para ele, tornou-se frequente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vamos colocar os bons comandando, não os apadrinhados. Essa é uma praga na área da saúde, que precisamos combater para não virar epidemia", afirmou a uma plateia de cerca de 70 profissionais de saúde reunidos na sede do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), na capital paulista.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

07 Julho 2010 | 19h47

Serra citou como exemplo de loteamento de cargos a escolha de diretores da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), da Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Um integrante do PT perdeu a eleição, foi para a Anvisa e agora saiu para disputar a eleição", disse o candidato, em entrevista após o encontro. "Virou um ponto de estacionamento de político desempregado. É um absurdo. É brincar com a saúde da população."

A administração da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) também virou alvo do tucano. "Os Correios estão aí, batendo cabeça, por causa de loteamento político. Era uma empresa eficiente que está degringolando por causa do loteamento." Segundo Serra, dar cargos a apadrinhados é "privatizar o Estado", pois faz a máquina atuar a favor de interesses pessoais. "O que eu quero é estatizar o Estado. Aquilo que é público não deve pertencer a um partido ou facção."

O tucano não soube explicar como fará essa reforma na direção de entidades ligadas ao governo federal. "Isso eu vou ter de examinar melhor. Chegando lá a gente vai ter de ver. Mas, pode crer, no meu governo não vai ter loteamento de cargos como há hoje", prometeu.

Aos profissionais da saúde, Serra garantiu que, se eleito presidente, promoverá cursos de formação. "Nos próximos quatro anos, nós vamos formar 500 mil técnicos de enfermagem no País todo", disse, sob aplausos.

O programa de qualificação seria feito em parceria com entidades de enfermagem e instituições públicas e privadas de saúde. "A saúde pode avançar muito com o dinheiro que se tem", afirmou.

Multa

José Serra não comentou a multa que recebeu da Justiça por propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou ontem que o candidato pague R$ 5 mil e o PSDB baiano R$ 7,5 mil por levarem ao ar na Bahia inserções em que Serra diz: "Ainda tem muita coisa para fazer e dá para fazer. Com união, seriedade e trabalho, eu tenho certeza: o Brasil pode mais."

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