Serra diz que '2018 é remotíssimo' e única preocupação é se 'sair bem como ministro'

O chanceler afirma, no programa 'Roda Viva', da TV Cultura, que candidatura presidencial do também tucano Aécio Neves 'não está fora do páreo' e que possível volta de Dilma Rousseff ao governo seria um 'pesadelo completo'

Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2016 | 01h12

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que a única candidatura que está preocupado é "me sair bem como ministro". "2018 é remotíssimo. Mas uma pré-condição para quem quer ser candidato é se sair bem agora", afirmou, na sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, 6.

Para Serra, a candidatura presidencial do senador Aécio neves (PSDB-MG) "não está fora do páreo" ainda. "Não acho que Aécio esteja fora do páreo para 2018 e na política. Até agora não apareceu prova nenhuma", comentou o ministro sobre as investigações recentemente abertas contra o colega de partido. 

Quanto a uma possível volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao governo, Serra afirmou que seria um "pesadelo completo". "Não vejo cenário para o Brasil de superinflação e a ideia da Dilma voltar seria um pesadelo completo. Mesmo quem ache que o presidente em exercício Michel Temer é ruim, seria pior voltar atrás", disse.

Serra também ressaltou que o que está acontecendo no Brasil não é golpe. "Tenho dois golpes nas minhas costas e eu sei o que é golpe. Quem inventou isso é estratégia contra-marketing", afirmou.

O chanceler se mostrou contra a realização de novas eleições diretas, afirmando que o País não tem preparação para isso nem está previsto na constituição. "Tem que ter o mínimo de calendário", disse, ressaltando que o governo Temer tem que se sair bem "por causa do Brasil".

Sobre se foi sondado para ser ministro da área econômica do governo Temer, Serra disse que nunca foi. "E nem sei se eu seria bom ou ruim. Mas onde teve governo que não da era petista, meu nome foi sempre colocado na opinião pública. Eu mesmo não tive ambição de ser ministro da Fazenda", afirmou.

Serra ainda completou que está torcendo para que a área econômica do governo "vá bem". "Temos um economista que é muito bom no Banco Central, que é o Ilan (Goldfajn). Estou com um excesso de planos na área internacional, mas estou disponível se precisarem", disse.

Questionado sobre o que achava sobre o reajuste dos salários do funcionalismo público, o ministro falou que o anúncio não foi nada bombástico, mas que "espera que seja sucedido com uma política fiscal mais severa."

Serra se declarou contra a CPMF, brincou dizendo que "duvido que Temer ame a CPMF", mas disse que deve ter sim aumento de "algum tipo de imposto". "Mas você precisa de uma grande avaliação para esse movimento de aumentar imposto, ver quais são os impactos econômicos e sociais", afirmou.

Lava Jato. Sobre a nomeação no governo Temer de ministros citados na Operação Lava Jato, Serra afirmou que tem de se analisar caso a caso. "Não acho que seja um risco nomear ministros citados na Operação Lava Jato, porque depende do tipo de investigação. Não acho que seja elemento de grande peso, mas precisa olhar caso a caso", disse.

Especificamente sobre o ministro do Turismo, Henrique Alves, o chanceler comentou que existe a acusação contra ele mas que tem que se provar. "É uma coisa complexa essa de fechar julgamentos por notícias que saíram nos jornais." "Não dá para interferir ou parar a Lava Jato. O Brasil está mostrando que é capaz de olhar e arrumar a própria casa", afirmou. 

Serra também comentou que houve muita pressão para Temer diminuir ministérios e que isso teria prejudicado a nomeação de ministras mulheres, mas que não houve discriminação.

O chanceler destacou que é importante que cada ministro mostre a real situação de sua área para montar um plano de ação para minimizar o que falta e trabalhar com o que possui. Sobre sua pasta,Serra reiterou que pediu ao Planejamento R$ 800 milhões para cobrir pelo menos o que o governo brasileiro deve para organismos internacionais.

"R$ 960 milhões é o estoque da dívida que temos. Mas ela toda dá para pagar aos poucos. O que mata é o custeio no longo prazo e é inadmissível que estejamos devendo para organismos como a ONU, por exemplo", disse.

Serra foi questionado, logo na primeira pergunta do programa, se a Venezuela era uma democracia. E ele disse que não, já que "país que tem preso político não é democracia".

Serra disse ainda que na reunião que teve na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e depois na Organização Mundial do Comércio (OMC), as autoridades se mostraram curiosas sobre a política nacional e que ele fez questão de explicar o que está ocorrendo no País. "E vamos continuar assim com todos que tiverem dúvida: vamos esclarecer o que está acontecendo."

Eleições municipais. Os entrevistadores insistiram também para que o ministro comentasse sobre o eventual candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, João Doria Jr., mas ele não emitiu qualquer opinião. "O PSDB ainda não definiu seu candidato. Não vou apoiar candidato de outro partido, mas o resultado de quem será a pessoa ainda não está definido. Vamos ver o que vai acontecer", disse. Serra apenas comentou que Andrea Matarazzo, provável candidato do PSD, após sair do PSDB, é "um homem bem preparado".

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