André Dusek/AE
André Dusek/AE

Serra diz nunca ter afastado possibilidade de ser candidato

Com o último revés na pesquisa Datafolha, aumentaram os rumores de que governador desistiria da disputa

Carolina Freitas, da Agência Estado,

03 de março de 2010 | 18h23

Após meses de silêncio sobre assuntos políticos, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), admitiu nesta quarta-feira, 3, a possibilidade de sair candidato nas eleições de outubro. O tucano, que nos últimos dias tem se esforçado para mostrar que continua no páreo pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também reforçou a estratégia de exaltar seu trabalho na esfera federal durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

 

Veja Também

linkAécio reitera que não aceitará ser vice de Serra

linkPSDB monta campanha e sinaliza candidatura

linkNo Senado, Serra cita 'erros históricos do PT'

 

"Eu nunca afastei a possibilidade de vir a ser candidato. Ela existe, sim", afirmou, depois de um evento de governo em um hospital estadual na capital paulista. Apesar de não especificar a qual cargo cogitaria concorrer, o tucano é o nome forte do PSDB para disputar a presidência com a pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff.

 

A declaração de Serra foi uma resposta à pergunta de repórteres sobre o quadro eleitoral. O governador negou que esteja destacando realizações suas do passado, na esfera federal, com vistas às eleições de outubro. Questionado sobre a possibilidade de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), vir a compor como vice a chapa presidencial tucana, Serra desconversou. "Não é um assunto que está sendo debatido, apesar de toda essa cobertura da imprensa", tergiversou.

 

Ministro da Saúde

 

Serra aproveitou o palco da inauguração do centro de parto no Hospital Estadual de Sapopemba, na Zona Leste da capital paulista, para mostrar os seus méritos no âmbito nacional na área da Saúde. O tucano usou metade do tempo de seu discurso de sete minutos para citar realizações dele próprio como ministro da pasta. A plateia era formada por não mais que noventa funcionários do Hospital.

 

"No ministério, fizemos um governo muito amplo de expansão das UTIs neonatais e tomamos medidas para multiplicá-las pelo Brasil afora", afirmou o presidenciável. "Assistimos também a uma queda significativa da mortalidade infantil e materna nos partos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo daquele período", acrescentou.

 

O governador relembrou também a obrigatoriedade da oferta de anestesias para partos feitos pelo sistema público, a melhoria da remuneração dos profissionais pelo procedimento e a valorização das enfermeiras obstetras - tudo, segundo ele, realizado em sua gestão como ministro da Saúde.

 

Na entrevista coletiva, depois da inauguração, Serra ainda resgatou a experiência do programa Mãe Canguru. O projeto incentiva as mães a manterem próximo ao corpo o bebê nos dias seguintes ao parto para ajudar na recuperação dos recém-nascidos que apresentam problemas. "Não sei avaliar a quantas anda essa experiência. Desenvolvemos várias ações na época, principalmente no Nordeste, em Fortaleza e no Recife", destacou.

 

Questionado, o governador negou que a lembrança de realizações suas na esfera federal tenha vistas às eleições de outubro. "Não tem. Sempre fiz isso", disse.

 

Erros do PT

 

Antes de discursar em São Paulo, o governador paulista esteve em Brasília, onde participou das homenagens ao centenário do ex-presidente Tancredo Neves, que faria aniversário nesta quinta-feira, 4. Ao falar na tribuna, Serra elogiou a alternância de poder proporcionada pela Nova República e citou a vitória do Partido dos Trabalhadores (PT), "encarado, a princípio, se não como força desestabilizadora, ao menos de comportamento radical e deliberadamente à margem na política nacional".

 

O governador disse também que o PT acabou por ser "um dos principais beneficiários dos grandes erros históricos de julgamento que cometeu". E prosseguiu: "Nos dois primeiros casos porque a eleição do primeiro presidente civil e as conquistas sociais e culturais da Constituição foram os fatores-chave que possibilitaram criar o clima que eventualmente conduziria o partido ao poder. Outros erros históricos seguiram-se."

 

O tucano ainda lembrou que o PT se opôs à estabilização da economia brasileira, denunciando o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. "Mas soube, posteriormente, colher seus bons frutos", cutucou.

 

Pressão

 

Serra vem sendo pressionado por membros do PSDB e do DEM a assumir sua candidatura à Presidência da República, principalmente depois que a diferença entre ele e a pré-candidata do PT caiu de 14 para apenas quatro pontos porcentuais na última pesquisa Datafolha. Serra tem 32% das intenções de voto, contra 28% de Dilma.

 

Com o revés na pesquisa, aumentaram os rumores de que Serra desistiria da disputa. Por isso, nos últimos dias, aliados do governador paulista e entusiastas de sua candidatura têm procurado dar sinais de que a intenção de Serra de concorrer ao Planalto é real. Na terça-feira, soube-se que secretários de Serra irão deixar o governo de São Paulo nas próximas semanas para compor o comando de sua campanha.

 

Segundo o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), "Após o término dessa semana ninguém mais vai ter dúvida de que ele (Serra) é candidato."

 

Com informações de Ana Paula Scinocca, da Agência Estado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.