Serra diz não querer nacionalizar campanha, mas critica Lula

O pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, mandou um recado aos seus concorrentes nesta quinta-feira, em Bauru, interior do Estado. Serra afirmou que não pretende nacionalizar a discussão política na campanha eleitoral, mas que se isso acontecer terá munição para enfrentar os adversários. Apesar da promessa, Serra criticou a conduta do Governo Federal por quatro vezes em discurso feito a 41 prefeitos da região.Questionado se usaria temas nacionais no enfrentamento com o candidato do PT ao governo, Aloizio Mercadante, Serra disse: "Minha campanha não vai usar questões nacionais. Não vou tomar a iniciativa de nacionalizar a campanha", afirmou. "Mas se quiserem nacionalizar, estou equipado para isso. Muito equipado", afirmou.Serra, porém, não cumpriu o que prometeu. Em pé sobre uma cadeira, o ex-prefeito disse que o governo de Lula levou o País à estagnação política; acusou Lula de beneficiar banqueiros mais que Fernando Henrique Cardoso; afirmou que o Governo Federal se apropria de forma desleal de verbas da Saúde; por fim, se disse surpreso pelo comportamento ético do PT no poder. E arrematou: "Nós somos progressistas, nós somos de esquerda. Há partidos que se dizem de esquerda, mas são partidos de corporação."PresidênciaSerra também negou aos jornalistas que vá fazer do governo do Estado, caso seja eleito, uma ponte para a disputa à Presidência em 2010. "É muito cedo para falar nisso", disse numa coletiva aos jornalistas. Antes, numa entrevista na TV TEM, afiliada da Globo, Serra se recusou a responder à pergunta sobre o assunto e seus assessores pediram à direção da TV para que a fala do candidato sobre o assunto fosse cortada da edição, o que de fato acabou acontecendo.EducaçãoSerra admitiu indiretamente que o governo de São Paulo está faltando com qualidade na educação ao prometer que, se eleito, vai colocar dois professores em cada sala de aula da 1ª série do ensino fundamental. "Precisamos melhorar a qualidade do ensino. O Alckmin e o Fernando Henrique Cardoso conseguiram universalizar o atendimento. Agora precisamos de qualidade", afirmou. Segundo Serra, o objetivo é melhorar a alfabetização dos alunos na 1ª série.Ele lembrou que, ao assumir a prefeitura de São Paulo, encontrou 17 mil alunos analfabetos na 4ª série do ensino fundamental.Serra também prometeu criar cursos de reforço escolar para alunos atrasados na 4ª série e salas de aplicação no ensino médio em convênio com as universidades do Estado. Mas não disse como disporá de verbas para isso.

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