Serra discorda de Aécio e não prevê explosão da inflação em 2014

Tema foi alvo de críticas do senador, virtual candidato da sigla à Presidência

Isadora Peron e Guilherme Walterberg, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2013 | 22h10

SÃO PAULO - O ex-governador José Serra (SP) disse nesta quarta-feira, 8, em uma palestra a estudantes da USP São Paulo, que não acredita numa explosão da inflação este ano.

"Eu não vejo uma perspectiva de um descontrole inflacionário. Estou falando como um professor de Economia. Levar isso para a política é temerário."

No início do mês, o senador Aécio Neves, provável candidato tucano à presidência da República em 2014, afirmou durante eventos do Dia do Trabalho que o governo petista da presidente Dilma Rousseff havia perdido o controle da inflação. Para Serra, a inflação deve fechar o ano de 2013 entre 5% e 6%. "Eu não vejo a inflação explodindo. Mas é claro que ela incomoda", continuou.

Apesar de Serra discordar da avaliação do correligionário nesse quesito, ele não poupou o governo petista de críticas ao fazer um balanço das políticas econômicas da última década - período que o Brasil foi governado pelo PT. Para ele, o decênio foi marcado pelo baixo crescimento da economia. "A tendência é crescer 3% ao ano e olhe lá", afirmou. Para ele, o desempenho da economia deste ano será um pouco melhor que em 2012, quando o crescimento do PIB foi de 0,9%.

Para justificar os baixos índices de crescimento registrados durante os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso, no qual foi ministro, ele alegou que "o momento era outro", e mencionou as crises da Rússia, Sudeste Asiático, México e Argentina enfrentadas por seu correligionário. "Nos últimos dez anos não houve isso, houve uma crise no mundo desenvolvido e os emergentes foram de carona".

Segundo o tucano, outra característica dos dez anos de governo do PT é que o crescimento foi puxado pelo consumo e não pelo aumento do investimento,o que ele avaliou como "insustentável'.

Ao falar da queda do índice de desemprego, Serra criticou o fato de que a maioria dos empregos gerados nos últimos anos terem sido vagas que pagam até dois salários mínimos.

Crise. Apesar de não citar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra também criticou as medidas tomadas em 2008 diante da crise financeira internacional. "O erro fatal da política econômica do Brasil foi aumentar os juros quando a crise estava começando. O mundo inteiro baixando os juros e o Brasil levou quatro meses para fazer isso", disse. Segundo ele, apesar de o País ter sido pouco afetado pela crise, que teve início com a quebra do banco americano Lehman Brothers em setembro daquele ano, as consequências ainda vão ser sentidas no futuro.

O tucano destacou ainda o fato de o Brasil ter tido, por décadas, uma das maiores taxas de juros do mundo. Em um raro momento de elogio ao governo petista, ele disse que isso só começou a mudar em 2011, quando a presidente Dilma Rousseff adotou uma política de redução da Selic.

Autoria. Durante a palestra, Serra disse ainda que é de sua autoria duas expressões famosas: "década perdida" e "superinflação". A primeira diz respeito aos anos 1980, quando o Brasil não apresentou crescimento econômico. A segunda é um conceito que configura um índice de alta de preços que supera os três dígitos ao anos.

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