Serra descarta mudar campanha após pesquisa

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou hoje que não pretende mudar o rumo de sua campanha, apesar da crescente desvantagem em relação à candidata Dilma Rousseff (PT), conforme apontam as pesquisas de intenção de votos. "Seguiremos nosso trabalho com muita seriedade, muito empenho, otimismo e propostas para mostrar à população. Vamos chegar lá", afirmou o candidato tucano, em visita ao Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.

ANDRÉ MAGNABOSCO, Agência Estado

22 de agosto de 2010 | 18h37

Na mais recente pesquisa eleitoral, divulgada ontem pelo Datafolha, a diferença entre Dilma e Serra subiu para 17 pontos porcentuais. Em votos válidos, a preferência pela candidata petista alcançou 54%, o que eliminaria a realização de um segundo turno.

Questionado em relação a declarações de representantes do PSDB e de partidos aliados sobre a necessidade de mudanças na campanha, principalmente em relação ao tom das críticas ao governo federal, Serra evitou o tema. "Não vou comentar, afinal uma pessoa fala uma coisa, outra fala outra", afirmou Serra, ao lado do candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Para Alckmin, os recentes números das pesquisas eleitorais não devem ser supervalorizados. "O processo eleitoral está em pleno curso e o Serra tem tudo para ir ao segundo turno, e havendo o segundo turno teremos uma nova eleição e o Serra tem chance de ganhar a eleição", afirmou, referindo-se à corrida presidencial. "Se pesquisa ganhasse eleição, não precisaria haver eleição", completou o candidato, que lidera a corrida eleitoral em São Paulo.

Centros culturais

Após visitar o centro cultural na zona norte da capital paulista, que atende mais de 10 mil pessoas por mês, Serra afirmou que, se eleito, pretende reproduzir o modelo em todo o País. "Os centros culturais tiram o jovem das ruas e permitem a ele aprender arte e ter cultura e lazer. Com isso ele se sente mais seguro de si mesmo, melhorando a autoestima e a socialização", justificou.

Outra vantagem do modelo aplicado na Vila Nova Cachoeirinha, segundo Serra, é o baixo custo. "É algo que não custa muito. O custo maior desse centro é a dedicação e o amor à juventude", afirmou o candidato. O Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso foi inaugurado em março de 2006 pelo próprio Serra, quando ainda era prefeito de São Paulo. O projeto foi viabilizado em sete meses e demandou investimentos de R$ 6 milhões.

Serra também defendeu o modelo de fábricas de cultura, que são projetos semelhantes aos centros culturais, mas em menor escala. "É impressionante o número de jovens talentosos que se descobre", afirmou Serra, mostrando-se entusiasmado após acompanhar um grupo de dança de rua que ensaiava no local durante a visita.

Alckmin, que permaneceu no local após a saída de Serra, afirmou que pretende construir 12 fábricas de cultura no Estado. Além disso, o candidato ao governo de São Paulo prometeu a construção de um parque no bairro do Belém, no local onde estava instalada a antiga Febem, e a criação de um centro cultural virtual. "Hoje ouvi uma ótima proposta aqui, que é fazer um grande centro cultural virtual. Poder, através da internet, levar cultura aos 654 municípios, mesmo sem ter fisicamente centros culturais em cada cidade", destacou.

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