Serra deixa RS sem declaração de apoio de Fogaça

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, aumentou o assédio ao PMDB do Rio Grande do Sul hoje, um dia antes de o partido definir qual a posição que vai tomar no segundo turno da eleição. Em meio a diversas agendas públicas, o tucano visitou o candidato derrotado ao governo do Estado, José Fogaça (PMDB), mas não saiu com a declaração de apoio. Comemorou, no entanto, a adesão em bloco do PP, que, ao mesmo tempo, estava com seu diretório reunido e optou por manter a posição do primeiro turno, quando já estava no bloco de Serra.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

13 de outubro de 2010 | 20h27

A posição de Fogaça reflete a postura do PMDB gaúcho, que passou todo o primeiro turno dividido. A tendência da reunião do diretório é de recomendar apoio ao presidenciável tucano, mas deixando os filiados liberados para optarem por outro caminho segundo suas convicções e acordos regionais.

A maioria dos deputados estaduais e federais do partido está com Serra desde o primeiro turno. Muitos prefeitos, que dizem ser a maioria, estão com Dilma. Já o deputado federal Osmar Terra, um dos mais entusiasmados apoiadores do tucano, diz que se somada a força dos parlamentares e dos prefeitos dos maiores municípios a maioria do PMDB vai trabalhar pela eleição de Serra.

O deputado federal Ibsen Pinheiro admite que o partido irá até o fim dividido, mas acredita que com maioria a favor de Serra. O próprio candidato afirmou ter "a sensação" de que receberá apoio da grande maioria dos integrantes do PMDB gaúcho no segundo turno.

Ao sair da reunião com Fogaça, Serra disse que fez uma visita de amigo. "Claro que eu gostaria de ter o maior número de apoios principalmente entre meus amigos", admitiu, em meio a elogios à atuação parlamentar de Fogaça quando senador. Também se negou a dizer se o ex-prefeito de Porto Alegre poderá contribuir com um eventual governo tucano. "Estamos batalhando, espero ganhar (a eleição), mas só falo de governo se ganhar", esquivou-se. Depois de se despedir de Serra, Fogaça disse aos repórteres que não falará no assunto até o partido tomar a decisão.

Na eleição para o governo do Rio Grande do Sul, encerrada no primeiro turno, Tarso Genro (PT) fez 3,4 milhões de votos (54,3%), enquanto Fogaça obteve 1,5 milhão (24,7%) e Yeda Crusius (PSDB), 1,1 milhão de votos (18,4%). Na eleição presidencial, Serra obteve 2,6 milhões de votos dos gaúchos (40,6%), ficando atrás de Dilma Rousseff, que conquistou 3,06 milhões de votos (46,9%) e à frente de Marina Silva, com 725 mil votos (11,3%).

Em sua passagem por Porto Alegre, o candidato tucano reuniu-se com os líderes do Movimento Suprapartidário Gaúchos com Serra, formado por simpatizantes do PSDB, do PPS e do PHS, em bloco, e por alas do PMDB, do PP, do PTB e do DEM, no centro da cidade. Depois, cercado por 200 apoiadores, caminhou pelas ruas centrais da capital gaúcha cumprimentando eleitores.

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