Serra defende uso da imagem de Lula no seu programa no horário eleitoral

Aparição do presidente ao lado do tucano causou polêmica entre aliados do ex-governador e levou PT a anunciar recurso ao TSE

Julia Duailibi, Ana Paula Scinocca, Liege Albuquerque e Anne Warth, de O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 07h58

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu ontem a exibição de imagens suas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral gratuito. "Não sei por que estão se incomodando", reagiu o tucano.

 

"Só dissemos que eu e Lula somos políticos experientes, é uma verdade. Que nossos nomes têm história, outra verdade. Por último, que eu tenho mais vivência do que Dilma, mais uma verdade indiscutível", afirmou Serra, em entrevista ontem em Manaus (AM), depois de almoço com empresários.

 

No programa na televisão exibido na noite de quinta-feira, foi mostrada uma imagem de Serra, então governador de São Paulo, ao lado do presidente. A locução da peça dizia que os dois eram "líderes experientes" e "homens de história".

 

A aparição do presidente no programa tucano alimentou polêmica entre integrantes do PSDB e legendas aliadas, que questionaram a eficácia de colocar a imagem no ar. Mas para o núcleo mais próximo do tucano a exibição atende à estratégia de mostrar que Serra é o candidato do pós-Lula. O alvo, dizem, é a adversária do PT, Dilma Rousseff, e não um presidente muito bem avaliado pela população.

 

Os testes feitos com eleitores pela campanha tucana também mostraram que as pessoas não teriam achado confusa a aparição de Lula no programa de Serra. Durante cinco segundos, foram exibidas fotografias que, no entender dos estrategistas do partido, mostram que, embora de partidos diferentes, Lula e Serra teriam mais coisas em comum, como história e liderança, do que Lula com Dilma.

 

Os advogados do PT informaram que entrarão com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o uso das imagens de Lula. Para os petistas, o artigo 54 da Lei Eleitoral vedaria a exibição de Lula no programa.

 

A lei diz que poderá participar no horário eleitoral gratuito de determinado partido "qualquer cidadão não filiado a outra agremiação partidária ou a partido integrante de outra coligação". De acordo com essa lógica, o presidente Lula, filiado ao PT, não poderia aparecer no programa do PSDB, seu adversário.

 

Os tucanos questionaram o argumento legal. Informaram que trata-se de uma foto do presidente da República com um então governador. Exibi-las seria diferente de colocar Lula pedindo votos a Serra, o que seria ilegal.

 

Tropa. Apesar de algumas críticas no bastidor, a tropa de choque serrista saiu publicamente em defesa do programa. O coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PE), disse que a aparição de Lula reflete a verdade. "Ambos têm trajetória parecida, experiência e liderança comprovada", disse. "Já a candidata Dilma não tem."

 

Segundo Guerra, a aparição de Lula é "algo momentâneo" e sem a relevância que a imprensa dá. "Essa discussão está mais na cabeça das pessoas iluminadas do que na do povo", minimizou. "Não é um fato de campanha."

 

Para o deputado Jutahy Júnior (BA), um dos principais aliados de Serra, a cena mostra "civilidade" entre os dois políticos. "Não existe mentira ou ilegalidade na cena. Mostra uma relação civilizada e institucional", disse. "Não tem trucagem nem texto mentiroso."

 

Sucessor de Serra no Palácio dos Bandeirantes, o governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou que o uso das imagens não configura crime eleitoral, pois mostram apenas o presidente ao lado do então governador. "Qual é o mal disso?", questionou, durante a inauguração do campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos.

 

"A legislação proíbe que alguém vá a alguma apresentação na TV ou em lugar de um outro candidato. Não proíbe a apresentação de fotografia. Isso é o fim do mundo", disse, em referência ao anúncio do presidente do PT, José Eduardo Dutra, de que entrará com representação contra Serra. Sobre as declarações de Dilma, que classificou de patética a tentativa de Serra de associar seu nome ao de Lula, Goldman alfinetou: "Ela é patética."

 

O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) também defendeu o uso da imagem de Lula. "A imagem é para mostrar que vamos olhar o Brasil para frente, que não vamos acabar com os bons projetos feitos. Não vai haver rupturas. Isso é importante para esclarecer o eleitor", defendeu.

 

Empresários. Serra reuniu ontem cerca de 500 empresários do Amazonas em evento do grupo Lideranças Empresariais (Lide). O candidato fez uma visita à fábrica da Honda, no Distrito Industrial de Manaus. No fim da tarde, houve uma caminhada no centro comercial, na qual Serra foi acompanhado do senador Arthur Virgílio (PSDB).

 

Durante o almoço, Serra conseguiu aplausos ao defender a perenização do modelo de isenção de tributos da Zona Franca de Manaus. Buscou desmentir boatos no Estado onde o PSDB tem historicamente as piores votações em eleições à Presidência.

 

"Além desse boato antigo de que sou contra a Zona Franca de Manaus, que só posso repetir que é mentira sempre, hoje vieram dizer que sou contra o Prosamim (programa de saneamento ambiental dos igarapés de Manaus, do governo estadual). Nem sei direito o nome do projeto e não sou contra, meus aliados dizem que é um bom projeto."

 

Na palestra aos empresários, Serra criticou o aeroporto e o principal porto da região, anunciando que seu projeto de governo inclui obras nesses locais. "A estrutura do aeroporto pode ser considerada indecente, principalmente para uma cidade que vai ser uma das sedes da Copa em 2014", declarou o candidato.

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