Serra defende mais agressividade para comércio exterior brasileiro

'O mundo tem 100 tratados de livre comércio, o Brasil só fez um', disse pré-candidato tucano

Anna Ruth Dantas, especial para o Estado

22 de abril de 2010 | 16h35

Tucano tomou mel oferecido por produtor direto da garrafa durante agenda em Natal

 

NATAL - O ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta quinta-feira, 22, a política de comércio exterior do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento em Natal promovido pela Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas no Rio Grande do Norte, o tucano disse que, no Brasil, "há pouca agressividade" para o setor.

 

Veja Também

Chanceler argentino rebate críticas de Serra ao Mercosul

Serra e Dilma fazem ofensiva na TV

Bases fecham com Dilma, mas tempo de TV vai para Serra

 

Serra também voltou a criticar a postura do governo brasileiro diante do Mercosul. O tucano lembrou que apenas um tratado de livre comércio foi firmado durante o governo Lula, enquanto que no mundo todo há cerca de cem acordos em andamento. A declaração foi feita no mesmo dia em que o chancelar argentino, Jorge Taiana, retrucou às declarações do pré-candidato do PSDB, que na terça-feira, em palestra em Minas, classificou o Mercosul como uma "farsa".

 

"O Mercosul tem que se concentrar em ser uma zona de livre comércio, porque além de zona de livre comércio ele passou a ser uma união alfandegária. Ou seja, todas as tarifas do exterior, de política comercial, ficam subordinadas aos quatro países", explicou o tucano, para quem a situação inviabiliza acordos bilaterais. "O Mercosul não avançou no que era mais importante, na medida em que poderia avançar: o livre comércio entre os países", afirmou. "O Mercado Comum Europeu e a União Econômica México-Estados Unidos começaram com uma zona de livre comércio. Era importante para ter no futuro uma boa união alfandegária ter uma zona de livre comércio consolidada primeiro", concluiu.

 

Serra também não poupou criticas aos fracos investimentos na infraestrutura brasileira e lembrou que nos anos 70 um terço dos investimentos eram voltados para essa área.

 

Aproveitando o viés econômico do encontro, o pré-candidato tucano disse que a política macroeconômica do governo se sustenta sobre dois tripés: "um do bem e outro do mal". O último seria composto pelos juros, carga tributária e falta de infraestrutura. Já o tripé do bem é o do câmbio flutuante, metas de inflação e políticas econômicas bem definidas.

 

Vice

 

O ex-governador defendeu ainda uma política mais eficiente de incentivo aos genéricos. Ele disse que essa será uma das propostas do seu plano de governo e garantiu que é favorável ao Bolsa Família, tanto que pretende aumentar o número de beneficiados.

 

"Vamos turbinar de novo os remédios, eles precisam ser turbinados porque é um produto que barateia e é de boa qualidade. Teremos uma cesta de remédios gratuitos próxima a 80 medicamentos, que são distribuídos através dos municípios. Essa é uma questão do acesso aos medicamentos", afirmou.

 

Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Serra admitiu que o assunto está sendo tratado pela cúpula do PSDB. "São critérios políticos, de princípios, porque tem que ser alguém afinado com nossos valores, nossos princípios, nossos programas para o Brasil, para todas as regiões. Esse é um processo que se desenvolverá normalmente e até junho teremos uma definição boa. Não estou cuidando pessoalmente disso, quem cuida é o meu partido", comentou o pré-candidato tucano.

 

Em campanha

 

Na chegada ao local da palestra para os empresários, José Serra foi abordado pelo produtor de mel Milton Alves de Araújo. Ele entregou um litro de mel ao tucano que recebeu e, de pronto, na frente de diversos fotógrafos e cinegrafistas, bebeu na boca da garrafa. Questionado sobre a encomenda, Milton Araújo disse que recebeu um telefonema de uma pessoa de São Paulo que pediu para ele ir ao local e entregar o mel a Serra. "Me ligaram de São Paulo, disseram que ele gostava de mel e pediram para eu vir entregar um litro para ele", comentou o criador de abelha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.