Serra dá viés heterodoxo ao PSDB

Grupo alinhado a escolas de pensamentos desenvolvimentistas conquista espaço no partido

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira, do O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2010 | 16h23

Com a consolidação do nome do governador paulista, José Serra (PSDB), como candidato da oposição à Presidência, ganhou força nas hostes tucanas um grupo de economistas que flerta com ideias mais heterodoxas. Alinhado a escolas de pensamentos desenvolvimentistas, esse núcleo galgou espaço no debate econômico interno e seus integrantes aparecem hoje como principais formuladores de políticas econômicas no partido, lugar anteriormente dominado por personagens com visões mais liberais.

 

Aumentou a influência de economistas próximos do governador Serra que, assim como ele, têm passagem por escolas que pregam uma visão keynesiana, com Estado mais atuante, como, por exemplo, a Unicamp. Ficam com participação mais discreta nomes que reinaram durante a era Fernando Henrique Cardoso, como os ligados à PUC-Rio, que defendem participação menor do Estado na economia.

 

Analistas do mercado costumam dizer que, caso eleito, Serra será ministro da Fazenda e presidente do Banco Central dele mesmo. A afirmação traz implícito um perfil atuante, sobretudo na política monetária - o tucano é um ferrenho crítico dos juros.

 

"O Serra vai ter uma política econômica desenvolvimentista, sem dúvida nenhuma, uma orientação para o investimento e para o crescimento", afirmou Julio César Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do governo Lula.

 

A equipe de Serra é composta por economistas que dividem essa visão. O secretário de Planejamento, Francisco Luna, da USP, dono de reconhecido trabalho sobre o período escravista, é um dos principais nomes, como Geraldo Biasoto, da Unicamp, que trabalhou na Saúde com Serra. Diretor-presidente da Fundap, produz estatísticas que municiam o governo. Economista ligado ao PSDB, José Roberto Afonso é outro importante colaborador. Em recente seminário, citou "intricadas relações entre fisco, moeda, câmbio e crédito (que) exigem rever e melhorar a coordenação macroeconômica", visão compartilhada internamente.

 

Também influenciam o debate o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, e os secretários da Cultura, João Sayad, e da Fazenda, Mauro Ricardo, este com um perfil mais técnico, elogiado pela "criação de receita".

 

A gestão FHC foi marcada pelo debate entre desenvolvimentistas e monetaristas. Serra deu peso ao primeiro grupo. No segundo, estava a turma da PUC- Rio, com uma visão ortodoxa da economia. Essa ala era formada por Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, e Gustavo Franco, ex-BC. Hoje, parte do grupo, ainda vinculado ao PSDB, atua na Casa das Garças, instituto de pesquisas econômicas liberais, no Rio.

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