Serra cumpre agenda apertada na saída do cargo

Depois de aproveitar o carnaval para descansar dois dias em Campos do Jordão, o ministro da Saúde e pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, retorna nesta quarta-feira a Brasília para cumprir extensa agenda nos últimos nove dias em que permanecerá no governo.Serra deixará a pasta da Saúde no dia 22 de fevereiro para reassumir sua cadeira no Senado e dedicar-se à negociação de alianças para sua campanha à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. A governadora do Maranhão e pré-candidata do PFL à presidência da República, Roseana Sarney, também vai intensificar sua agenda de encontros partidários e, por isso, decidiu tirar uma licença de 20 dias do governo.Depois de reunir-se com o governador do Ceará, Tasso Jereissati, na semana passada, a governadora deve encontrar-se com o candidato do PPS, Ciro Gomes. Segundo o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), a reunião foi pedida por Roseana. Freire descartou, no entanto, a hipótese de PPS e PFL aliarem-se nas eleições presidenciais deste ano.?A Roseana está querendo se encontrar com o Ciro. Ele também quer, e não vejo problemas nisso?, disse Freire. ?Mas não sei para que esse encontro. Pode ser que a Roseana esteja só querendo tirar uma foto?, ironizou. ?Eu não teria muita coisa para conversar com ela, mas o Ciro acha que tem?, completou o senador.Assim que deixar o Ministério, Serra pretende empenhar-se na elaboração do programa do PSDB, que vai ao ar no dia 6 de março em cadeia nacional de rádio e televisão. A idéia é explorar ao máximo as ações de Serra na Saúde, exaltando várias medidas implementadas pelo ministro na Saúde. Em destaque, seu esforço pela implantação dos medicamentos genéricos no Brasil, sua luta para produção de remédios contra a Aids e sua batalha contra o fumo.A proposta é que Serra faça uma prestação de contas à população sobre sua passagem pela Saúde. É uma estratégia semelhante à adotada por Roseana Sarney, que aproveitou o programa do partido para mostrar as melhorias que fez em seu Estado. ?O lema do Serra será competência: nada contra a estabilidade; tudo contra a desigualdade?, disse um assessor do ministro.O nome de Serra como pré-candidato do PSDB será oficializado no próximo dia 24 de fevereiro, em pré-convenção do partido em Brasília. O comitê eleitoral do PSDB para organizar a campanha de Serra começa a funcionar na próxima semana, na sede do partido, em Brasília. Mas antes os caciques tucanos vão tentar acalmar o governador do Ceará, Tasso Jereissati, que não gostou de ver seu nome preterido como candidato à sucessão de Fernando Henrique.No dia 19, quatro governadores tucanos e o ex-governador Marcello Alencar vão ao Ceará tentar convencer Tasso a não criticar mais a candidatura de Serra. Uma missão de tucanos da Paraíba também estará nesta sexta-feira, em Fortaleza, para conversar com o governador. ?O Tasso era o meu candidato, mas agora o ideal é que haja unidade plena em torno da candidatura de Serra?, disse o deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB).A expectativa é que Serra e Tasso se reúnam até o fim deste mês para tentar chegar a um acordo. Com sua saída do governo, José Serra terá mais tempo para negociar as possíveis alianças em torno de sua candidatura. Convidado a ser vice em sua chapa, o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos, do PMDB, prometeu dar uma resposta somente no fim de março. O PMDB está dividido: enquanto a cúpula do partido quer apoiar o tucano, os peemedebistas contrários ao governo defendem o lançamento de candidato próprio ou até vir a apoiar a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do PT.

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