Serra critica contradições da equipe econômica de Lula

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, criticou hoje a atual condução da economia brasileira. De acordo com o tucano, a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não atua de forma integrada. "Temos de ter uma equipe econômica integrada, e não uma que atire em três direções contraditórias entre si. Uma que arrecada muito, outra que aumenta juros e outra que gasta feito louca", afirmou o candidato, durante almoço e debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. Serra usou metáforas para se referir às autoridades federais. "Um é o leão para arrecadar, o outro é o durão e o outro é o Papai Noel do gasto", afirmou.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

26 Julho 2010 | 16h35

O tucano negou mais uma vez a fama de centralizador e disse que saberá delegar tarefas econômicas a sua equipe. "Não serei, como dizem, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda. Vou pegar gente boa e entrosada." Serra apontou ainda a existência no Brasil de um "tripé maligno" da economia, que prejudicaria o atual tripé macroeconômico - câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação. De acordo com o candidato, o tripé "perverso" seria formado pela maior taxa de juros real do mundo, a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento e baixo índice de investimento governamental.

Ao citar a arrecadação de impostos, o tucano lembrou que sua principal adversária na corrida eleitoral, a candidata Dilma Rousseff (PT), disse em entrevista na última quarta-feira que não considera alta a carga tributária brasileira, comparada à de outros países. "Dilma disse que isso (ter alta carga tributária) era bom, mas a assessoria dela se esqueceu de avisá-la que tem de comparar com países em desenvolvimento, e não com a Suíça."

Durante a palestra de meia hora com os empresários, o candidato disse também que os entraves econômicos acabam tornando escasso o investimento em infraestrutura. Ele citou como exemplo as estradas federais e os aeroportos. "O Brasil tem uma infraestrutura muito ineficiente, falta dinheiro e planejamento", afirmou.

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