Serra cria conselho político para unir aliados e guiar campanha

Batizado de Conselho Superior da Campanha, o grupo será formado por caciques dos partidos aliados

Carol Pires e Andrea Jubé, de O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 18h59

BRASÍLIA - Com fama e prática de autossuficiente, José Serra (PSDB) autorizou nesta quarta-feira, 16, a criação de um conselho político para definir estratégias e traçar os rumos da campanha dele à Presidência da República. A criação do grupo estava planejada desde o início da pré-campanha, mas será colocada em prática neste momento para tentar aplacar o melindre de aliados, que se sentem alijados da coordenação da campanha.

 

Batizado de Conselho Superior da Campanha, o grupo será formado por caciques dos partidos aliados. São eles os presidentes nacionais dos partidos - Sérgio Guerra (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Roberto Freire(PPS), Roberto Jefferson (PTB), e Vítor Nósseis (PSC).

 

Os presidentes de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, e do DEM, Jorge Bornhausen, terão cadeira cativa no grupo. Completam o time o ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, como representante dos governadores.

 

O conselho se reunirá em São Paulo ou em Brasília pelo menos uma vez por mês. Reuniões extraordinárias poderão ser convocadas sempre que surgir um fato relevante, explica Sérgio Guerra. A data do primeiro encontro ainda não está acertada porque nem todos os membros foram convidados. Mas, segundo o presidente tucano, deve ocorrer nos próximos dez dias.

 

Os conselheiros deverão mapear erros e acertos, analisar pesquisas, identificar pontos fracos do candidato e sugerir medidas para alavancar a campanha em regiões onde a candidatura patina. A função do conselho, segundo Sérgio Guerra, será a de "pensar a campanha" e propor soluções. Mas não caberá a eles sair em campo para colocar as decisões em prática.

 

Na avaliação do presidente do PPS, Roberto Freire, a criação do conselho será importante para organizar e afinar o discurso dos aliados. Freire, nega, porém, sentir-se escanteado na coordenação da campanha, como tem reclamado lideranças regionais. "A conversa, até aqui, tinha sido feita com todos, só que separadamente. Mas o conselho será importante para afinar o discurso", completa.

 

O desafio da equipe será fazer com que José Serra aceite as críticas e sugestões. Apesar de sempre dizer que é "monitor e não centralizador", o presidenciável tucano costuma centralizar as decisões,e agir de improviso, muitas vezes passando por cima da agenda partidária. Recentemente, Serra anunciou que, uma vez eleito, acumulará os cargos de presidente da República e diretor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) nos seis primeiros meses de seu governo.

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