Serra contradiz Aécio ao considerar 'palanque duplo'

Um dia após o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), reunir a bancada da Câmara para tentar impedir palanques duplos com o PSB, o ex-governador de São Paulo José Serra considerou inevitável a ocorrência desses cruzamentos nos Estados.

RICARDO BRITO E ERICH DECAT, Agência Estado

17 de outubro de 2013 | 18h53

A possibilidade de o PSDB abrir palanque para o governador de Pernambuco e possível candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, passou a ser vetada no ninho tucano após o anúncio da aliança do socialista com a ex-senadora Marina Silva. Nesta quarta-feira, 16, em almoço com deputados do partido, Aécio informou que não concorda que governadores do PSDB abram palanque para Campos nos Estados.

"Quem é candidato não quer que o seu partido tenha palanque duplo nos Estados. Mas é inevitável que nas alianças estaduais haja cruzamento. Você vai ter partido que apoia um candidato nacionalmente, mas que vai apoiar governador de outro partido", afirmou José Serra após participar do XVI Congresso Brasiliense de Direito Constitucional, em Brasília.

"No quadro atual, a tendência do PSB é compor com o governador (Geraldo) Alckmin. E eles vão ter com certeza um candidato nacional. Não significa que o PSDB de São Paulo vai fazer campanha do outro candidato", acrescentou.

Questionado sobre possibilidade de tucanos aderirem a Campos, Serra classificou a hipótese de especulação. "Há muita especulação. Vamos ver se o Eduardo Campos de fato vai ser candidato e a gente depois analisa. Acho que o quadro não está totalmente definido", disse o tucano.

Recorrendo ao discurso de que o cenário ainda está indefinido, José Serra reforçou que mesmo dentro do PSDB a decisão sobre o nome que disputará as próximas eleições presidenciais será tomada apenas em março do ano que vem.

Disponível

"Estarei disponível para o partido para o que der e vier", afirmou. Apesar da declaração, Serra deu sinais de que se não for candidato à Presidência não pretende sair para a Câmara dos Deputados, uma das alternativas defendidas por alguns tucanos, uma vez que ele poderia puxar votos para a ampliação da bancada na Casa.

"Uma coisa é para o que der e vier outra se convém do ponto de vista político ou não. Acho prematuro ficar analisando isso". Para o tucano, que disputou a última eleição presidencial, os adversários da presidente Dilma terão um cenário mais favorável em 2014.

"Acho que tem maiores chances. As últimas pesquisas mostram que na verdade a situação da reeleição da presidente Dilma não é confortável. O índice de aprovação é baixo para quem está no comando do processo", considerou.

De forma irônica, ele criticou ainda a antecipação das eleições e não poupou a petista. "Veja o governo Dilma, passou dois anos perplexo com a herança que recebeu do Lula e depois fazendo campanha, cadê governo? Isso quem paga o preço é o País", disse.

Puro sangue

O ex-governador afirmou que a aliança de Campos e Marina é surpreendente e os efeitos estão por vir. "É muito cedo para avaliar, muito cedo. Foi uma aliança surpreendente, eu acho que surpreendeu o próprio Eduardo Campos. É um fato novo, agora saber as consequências disso, prever é muito difícil, muito difícil. Se alguém que acha que está prevendo bem, é que está por fora", disse.

O ex-governador disse que "não faz o menor sentido" uma chapa puro sangue do PSDB para o Palácio do Planalto, seja com o senador Aécio Neves (MG) como cabeça de chapa e ele como vice, ou vice-versa. Questionado pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se os tucanos não estão com "medo" de ficarem de fora do segundo turno presidencial, Serra respondeu: "Medo? Não, eu não acho que vai ficar (de fora do segundo turno), mas não é problema de ter medo ou não ter medo."

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