Serra continua negando ser candidato ao governo paulista

O prefeito de São Paulo, José Serra, negou-se hoje a comentar temas relacionados a uma eventual candidatura ao governo do Estado, mas não perdeu a oportunidade de criticar sua provável rival em uma disputa, a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Durante a inauguração da alças de acesso do complexo viário Real Parque, na zona sul da capital paulista, obra iniciada durante a gestão de Marta, Serra criticou a escolha do sistema de pontes das Águas Espraiadas para a obra e atacou também os investimentos feitos pela ex-prefeita em túneis nas avenidas Cidade Jardim e Rebouças.O prefeito disse, por exemplo, que ficou parado, no final da tarde de ontem, em frente ao túnel Cidade Jardim, sem que houvesse qualquer indício de transito nas redondezas. "Ele se estrangula sozinho", disse Serra. Ele disse ainda que o complexo Real Parque foi iniciado sem um projeto executivo adequado, o que ficou a cargo da atual gestão.Apesar de Serra se desviar do tema da candidatura, aliados seus presentes no local enfatizaram que o clima dentro da Prefeitura já é de certeza em relação à desincompatibilização do prefeito no próximo dia 31. "O clima é de convicção total", disse um tucano próximo a Serra, ressaltando no entanto, que o prefeito não tem se pronunciado sobre o assunto nem mesmo em conversas com colegas de trabalho.Além disso, Serra também se negou a comentar as afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse que seu palpite é que o prefeito realmente aceitará concorrer ao governo do Estado. Questionado sobre como viu o apoio que vem sendo concedido pelas bancadas estadual e federal e dos prefeitos tucanos a uma eventual candidatura, Serra apenas ironizou: "como eu vi? Com meus olhos".Durante o evento de hoje, Serra também evitou comentar a decisão do PSDB de pedir a abertura de um processo de impeachment contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O prefeito disse não estar "acompanhando de perto" o assunto."Congresso corre risco de se desmoralizar com absolvições"O prefeito de São Paulo afirmou ainda que o Congresso Nacional corre um sério risco de desmoralização em função da forma com vêm sendo tratadas as denúncias de corrupção que afetam o governo federal. Ao comentar o fato de a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) ter comemorado em ritmo de samba a falta de votos para cassar o deputado João Magno (PT-MG), Serra insistiu que esta postura mostra um risco de enfraquecimento da democracia brasileira."Foi um episódio que pode parecer engraçado, mas eu fiquei até triste, uma vez que estive 16 anos no Congresso", disse Serra, destacando que, em vez de tomar as decisões punitivas necessárias, o Congresso está "comemorando a impunidade". "É realmente algo muito empobrecedor para a política brasileira. Prejudicar a política brasileira significa prejudicar a democracia", completou.

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