Serra contesta Alckmin e nega golpe de Kassab

Governador reage duramente à estratégia de campanha do tucano, avaliza gestão do prefeito e afirma que ele foi um vice 'leal e solidário'

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

O governador José Serra reagiu duramente às acusações do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), feitas no fim da manhã, e pela primeira vez na campanha avalizou publicamente a gestão de Gilberto Kassab (DEM) à frente da prefeitura, além de manifestar uma reprimenda ao tucano. "Gilberto Kassab foi um vice-prefeito leal e solidário", afirmou Serra ontem à noite, numa reprovação implícita às críticas desfechadas por Alckmin. O governador, que até aqui evitava declarações políticas, endossou a obra e o programa de Kassab: "À frente da Prefeitura de São Paulo, ele seguiu à risca nosso programa de governo."Serra negou que tivesse recusado Kassab como seu candidato a vice em 2004, como afirmara Alckmin à tarde: "A afirmação não é correta. Não houve golpe na indicação do nome, que foi feita pelo PFL. Até porque quem me conhece sabe que, comigo, pressão não funciona." Serra manifestou, ainda, contrariedade com a elevação máxima da temperatura eleitoral por Alckmin, que está empatado com Kassab nas pesquisas eleitorais: "Lamento que a febre da disputa eleitoral acabe me envolvendo em ataques na campanha."A manifestação do governador veio após um dia em que as declarações de Alckmin elevaram o clima de campanha a um nível máximo de tensão. Durante toda a tarde, enquanto o DEM optou pela prudência e se retraiu, tucanos ligados a Serra cobravam do governador que saísse de sua posição eqüidistante. Eles avaliaram que a manifestação de Alckmin estava "acima do limite do suportável" e o candidato tinha "queimado as caravelas" para o segundo turno.Durante a tarde, o governador ouviu correligionários e a maioria o aconselhou a reagir duramente, dando "uma resposta cabal" a Alckmin. Passou a importar pouco, tal o nível de irritação, a unidade do PSDB. Muitos diziam que a declaração de Alckmin foi o melhor momento de campanha da petista Marta Suplicy, tendo em vista as imensas dificuldades, daqui por diante, para unir a antiga aliança tucana numa só força, no segundo turno.Durante a tarde, Kassab até pensou em replicar as declarações de Alckmin, mas foi aconselhado a se preservar e evitou falar sobre o impasse. Num primeiro momento, enquanto Serra definia sua reação, o secretário Walter Feldman, que tem sido um dos pilares políticos da candidatura Kassab, foi escalado para a primeira reação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.