Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Serra considera modesto ajuste fiscal promovido pela nova equipe econômica

 Senador afirma em conferência que faria mudanças mais "amplas, com foco na revisão de todos os contratos governamentais" 

ELIZABETH LOPES, Estadão Conteúdo

22 de janeiro de 2015 | 16h32

O senador eleito pelo PSDB de São Paulo, José Serra, considerou modesto o ajuste fiscal promovido pela nova equipe econômica do governo Dilma Rousseff, comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Em conferência promovida pela GO Associados, com o tema "Desafios e cenários para a política econômica brasileira", o tucano disse que faria um ajuste muito mais amplo, com foco na revisão de todos os contratos governamentais, a exemplo do que realizou quando assumiu a Prefeitura de São Paulo, em janeiro de 2005.

Apesar da crítica, Serra disse que os sinais que a nova equipe econômica deu a curto prazo foram bem-sucedidos, "porque o pessimismo é menor."

Na sua avaliação, apesar de não ser fácil fazer um ajuste fiscal em um cenário como o que o Brasil atravessa, sempre existe margem para comprimir os gastos governamentais. E exemplificou: "Quando assumi a Prefeitura (de São Paulo), tinha R$ 18 em caixa (da gestão de sua antecessora, a petista Marta Suplicy) e um déficit que não sabia o que fazer. Revisamos todos os contratos que a prefeitura tinha, renegociamos com fornecedores, baixamos tudo e deu certo. Eu teria feito o mesmo no governo federal, uma revisão de todos os contratos existentes, não para quebrar, mas para renegociar."

E disse que "humildemente" fazia essa sugestão à equipe econômica do governo petista, porque é uma forma de reduzir custos. "Tem até decreto pronto e dá pra fazer um manual de ajuste fiscal com tudo que pode ser feito", afirmou.

Ao iniciar a conferência, o senador eleito disse que não foi surpresa alguma ver que a presidente Dilma Rousseff adotou, no início de seu segundo mandato, as medidas que o PT repudiou na campanha presidencial.

Nas críticas à gestão do partido adversário, Serra disse que "o estilo petista jamais se preocupou com custo, pois o dinheiro não é deles", e citou o caso do escândalo envolvendo a Petrobras. Outra crítica foi feita a um dos projetos do PT, o trem bala, a quem serra classificou de "loucura, alucinação e insanidade."

Falta debate. Na conferência, o senador eleito pelo PSDB de São Paulo manifestou sua preocupação com a falta de debates sobre os rumos da economia do País a médio e longo prazos.

"Eu fico pasmo porque mais grave do que não ter rumos é não ter debate nacional sobre rumos." Serra disse ainda que o governo federal deveria eliminar a isenção de tributos sobre compras de até 50 dólares. "Isto tem papel devastador sobre a economia doméstica, todo consumo que não gera emprego ou receita tributária é ruim. E para a concorrência é fatal."

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