Serra cola em Alckmin e Kassab reclama

Candidato tucano tenta barrar queda nas pesquisas com nova estratégia; programas atuais de TV são criticados por direção do partido

Bruno Boghossian e Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h02

Para estancar a queda de José Serra (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o núcleo da campanha tucana quer colar ainda mais sua imagem no governador Geraldo Alckmin. O movimento já provocou "mal-estar" entre aliados do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que exigiam uma defesa mais enfática de sua gestão no horário eleitoral.

Originalmente, a equipe de Serra pretendia usar com moderação as figuras de Alckmin e Kassab, com o objetivo de passar ao eleitor a mensagem de que o candidato tucano tem musculatura própria para a disputa e não precisa de padrinhos políticos. O governador havia gravado mensagens para a campanha antes do início da propaganda na TV, mas o vídeo só foi ao ar na segunda semana do horário eleitoral.

Alckmin é considerado o cabo eleitoral mais popular da campanha, em contraste com os altos índices de rejeição de Serra e o crescimento da avaliação negativa de Kassab. O governador recebeu avaliação positiva de 40% dos eleitores ouvidos pela pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, enquanto apenas 17% dos entrevistados classificaram a gestão do prefeito como ótima ou boa.

Aliados de Kassab temem que a valorização da imagem de Alckmin faça com que o prefeito perca espaço na campanha. Tanto o tucano quanto o prefeito são cotados para disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2014.

Políticos próximos a Kassab cobram da equipe de Serra uma defesa mais ativa de sua gestão, depois que a administração municipal se tornou alvo de ataques dos adversários do candidato tucano na propaganda de TV. Eles reclamam que, por orientação da campanha, o prefeito "apanhou calado" por muito tempo de Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB).

"O Kassab havia se transformado na Geni", disse um aliado, em referência à personagem da canção Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, que era hostilizada publicamente em sua cidade.

O próprio Kassab acabou saindo a campo sozinho para defender sua gestão no início desta semana, quando convocou uma entrevista para rebater ataques do PT à política de saúde municipal.

No bunker kassabista, a expectativa era de que uma defesa enfática da gestão no horário eleitoral de Serra poderia "reabilitar" a imagem do prefeito e evitar que ele termine o mandato com uma avaliação negativa nas pesquisas de opinião. Sondagens internas confirmam que a figura do prefeito é rejeitada pelo eleitorado, mas apontam que suas ações têm impacto positivo - como a Lei Cidade Limpa e o combate ao comércio ambulante.

Novo rumo. A queda nos índices de intenção de voto e o aumento da rejeição a Serra nas últimas pesquisas também levou dirigentes nacionais e paulistas do PSDB a pressionar a equipe da campanha por mudanças na estratégia de comunicação.

Tucanos acreditam que o eleitorado demonstra um certo cansaço de Serra e advertem que o marketing da campanha agrava o problema, em vez de corrigi-lo. É geral a avaliação de que o programa de TV tem "cara de velho".

Dirigentes também identificaram como grave erro tático o fato de a campanha não ter abordado de forma clara, incisiva e objetiva, logo no primeiro programa de TV, o maior problema de Serra: as dúvidas do eleitorado de que ele quer mesmo ser prefeito e se manterá no cargo até o fim.

Este ponto é reconhecido por todos como a maior fragilidade da candidatura e, por isto, setores importantes entendem que a hesitação na abordagem alimenta dúvidas sobre o tema. / COLABOROU CHRISTIANE SAMARCO

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