Serra cobra desculpas de Dilma por dossiê e diz que petista é responsável

Candidato volta a atribuir à adversária fabricação de documento e cobra atitude mais categórica de Lula

André Mascarenhas e Fausto Macedo / SÃO PAULO

20 de junho de 2010 | 00h01

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou que a petista e sua adversária na disputa, Dilma Rousseff, deveria ter pedido desculpas e afastado imediatamente os assessores acusados de envolvimento na montagem de um suposto dossiê contra o tucano.

 

Durante gravação do programa 'Roda Viva', da TV Cultura, neste sábado, 19, ele novamente atribuiu a Dilma a fabricação do documento. "Não sei se ela (Dilma) tinha (conhecimento), mas ela é responsável", disse. O programa vai ao ar nesta segunda, 21, a partir das 22h.

 

Para Serra, o dossiê supostamente encomendado pela equipe da petista é material "requentado". "Quem não gosta de ouvir fofoca", respondeu ao ser questionado se os dossiês seriam um mal necessário nas campanhas. "O PT tem divulgado isso há muito tempo em seus blogs", disse. "Quando se fala em dossiê, é bom que se diga fajuto."

 

Ele negou que sua campanha use a mesma estratégia para atingir adversários. Neste domingo, 20, no intervalo do jogo do Brasil com a Costa do Marfim, que assistiu em uma quadra esportiva na zona leste, Serra foi categórico ao cobrar do governo Lula investigação. "Tinha que ter uma comissão de sindicância, é o mínimo que se espera", disse. Pouco antes, Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo do Estado, já havia apontado para o Planalto. "O governo federal precisa explicar como é que o sigilo da Receita é quebrado. A sociedade brasileira espera explicações."

 

Apesar de os petistas negarem a produção do dossiê, o PSDB insiste em responsabilizar a candidata do PT pelo episódio. "A principal responsabilidade por esse novo dossiê é da candidata Dilma Rousseff. Disso eu não tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini", disse Serra no primeiro comentário público sobre o episódio, no início do mês, logo depois das denúncias publicadas pela revista Veja.

 

Na época, os tucanos decidiram que partiriam para o contra-ataque. "Vamos para a "riga", disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que também é coordenador da campanha de Serra.

 

Os tucanos tentam colar em Dilma a autoria do documento, relembrando o caso do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher Ruth Cardoso. O documento, que indicaria gastos pessoais irregulares na gestão FHC, teria sido elaborado pela Casa Civil, quando Dilma era ministra.

 

Privatização

 

Na entrevista ao Roda Viva, Serra falou também sobre economia, segurança e educação, além de ter defendido a união civil de homossexuais, mas não o casamento, e se posicionado contra a descriminalização da maconha.

 

Ao abordar a privatização, assunto sensível ao PSDB, o tucano procurou mostrar em que pontos tentará marcar diferenças com as políticas do governo Lula. Questionado se levaria para o resto do País a política de privatização de estradas do Estado de São Paulo, demonstrou considerar a possibilidade. "Mas uma coisa eu garanto: se for feito, vai ser bem feito", afirmou.

 

O presidenciável defendeu o modelo para os aeroportos brasileiros e criticou a concessão de empréstimos de bancos públicos para a fusão de empresas privadas, que classificou como o "modelo de privatização" do governo Lula.

 

Ao responder sobre as tarifas elevadas dos pedágios em São Paulo, atacou os rivais. "Você está apenas retransmitindo o que diz a oposição", respondeu Serra ao apresentador do programa. "Esse é o trololó petista, que tem muito pouco a falar sobre São Paulo", completou.

 

Economia

 

Serra procurou diminuir a responsabilidade do governo Lula no avanço econômico do País. Para ele, a alta taxa de crescimento no primeiro trimestre de 2010 é resultado da expansão reduzida dos últimos anos. "No ano passado, crescemos 0%", lembrou o ex-governador, para quem há um processo de 'desindustrialização' no Brasil.

 

Citou a indústria da celulose, setor em que, segundo ele, o país exporta matéria-prima para importar o produto final. Indagado sobre de quem é a culpa, disse: "É do atual governo. Mas muitos deles não sabem disso. O presidente Lula não sabe. Ele vai levando", afirmou.

 

O presidenciável tucano também atacou o loteamento de cargos no governo federal, comentou sobre a escolha do vice que vai compor a sua chapa e ainda defendeu a ampliação da Lei de Responsabilidade Fiscal para todos os níveis da administração federal.

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